Eleições em Honduras: em meio à denúncia de fraudes, direita lidera resultados preliminares
Com 42,65% das urnas apuradas, Nasry Asfura lidera com 40%, seguido por Salvador Nasralla (39,8%) e Rixi Moncada (19,2%)
Os resultados preliminares das eleições presidenciais em Honduras, realizadas neste domingo (30/11), acenam para uma crise política no país.
Com 55,9% das urnas apuradas, o empresário Nasry Asfura (Partido Nacional), ex-prefeito de Tegucigalpa e aliado declarado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aparece em primeiro lugar, com 40% dos votos.
Na sequência vem o direitista Salvador Nasralla do Partido Liberal, com 39,9% e, em terceiro lugar, a candidata governista Rixi Moncada do Livre, com 19,2%.
O cenário eleitoral é marcado por denúncias de fraude e os resultados preliminares vem sendo rejeitados pelo Partido Livre que denunciou, na última segunda-feira (24/11), um plano envolvendo sabotagem digital e manipulação de dados no sistema de transmissão de votos.
Moncada já afirmou que somente reconhecerá o resultado após a contagem total das atas. Na plataforma X, na madrugada desta segunda-feira (31/11), ela agradeceu ao Partido Libre e ao povo hondurenho pelos votos em sua “proposta de reforma econômica e democrática”.
“Exorto-vos a manterem-se firmes na vossa luta até obtermos os resultados finais com 100% dos votos para presidente, prefeitura e Congresso apurados. Amanhã [nesta segunda], em conferência de imprensa, anunciarei a minha posição política relativamente aos resultados presidenciais divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral”, afirmou.

Moncada afirmou que somente reconhecerá o resultado após a contagem total das atas
@rixipresidenta
Denúncia
A TeleSur informa que o Livre reagiu à divulgação do primeiro boletim oficial do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), apresentado em sessão pública, com 34,25% das atas processadas. Naquele momento, Asfura obtinha 530 mil votos; Nasralla, 506.316; e Moncada, 255.972. Ana Paula Jul García, do CNE, reiterou ao apresentar os dados que o boletim tinha caráter “meramente informativo”.
Segundo a denúncia de fraude, um ataque cibernético constaria em um plano de sabotagem eleitoral visando impedir a chegada de votos provenientes de municípios onde a legenda possui vantagem histórica. O complô atuaria na transmissão dos resultados eleitorais. Moncada chegou a pedir a mobilização permanente dos eleitores: “de pé em luta até obter 100% das atas”.
Além do presidente da República, as eleições hondurenhas também definirão 128 deputados, centenas de prefeitos e milhares de cargos públicos. A apuração segue em curso e o CNE pede que as Juntas Receptoras permaneçam nos centros até a conclusão completa do processo.
Donald Trump
As eleições em Honduras, além das ameaças de fraude, foram marcadas pelo apoio público e direto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Asfura. Na véspera do pleito, o norte-americano afirmou nas redes sociais que colaboraria com o candidato da direita no combate ao narcotráfico e advertiu: “se ele não vencer, os Estados Unidos não estarão desperdiçando dinheiro”.
Trump também anunciou que concederia indulto ao ex-presidente Juan Orlando Hernández, do Partido Nacional, condenado no país a 45 anos por tráfico de drogas, o que contradiz a justificativa de combate ao narcotráfico, usado pelo país para pressionar a queda de Nicolás Maduro na Venezuela.
Na sexta-feira (28/11), Trump voltou ao assunto, ao escrever que “o homem que defende a democracia e luta contra [Nicolás] Maduro é Tito Asfura, candidato à presidência pelo Partido Nacional”.
“Não posso trabalhar com Moncada e os comunistas, e Nasralla não é um parceiro confiável para a Liberdade e não merece confiança”, acrescentou.























