Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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O polêmico pacote de reformas penais que inclui a permissão à prisão perpétua para menores de idade em El Salvador entrou em vigor no domingo (26/04), 30 dias após a sua aprovação na Assembleia Legislativa, a pedido do presidente ultraconservador Nayib Bukele, e em meio a críticas de grupos internacionais de direitos humanos.

De acordo com o texto, as emendas se dirigem a crianças a partir dos 12 anos que, conforme os critérios do Estado, cometerem homicídio, feminicídio, estupro ou integrem gangues, estes que são estruturas classificadas como grupos terroristas. O regulamento cria os “tribunais criminais” para analisar estes casos por meio de um procedimento especial, exceto para situações que estão ligadas ao terrorismo.

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As reformas também estabelecem que aqueles condenados nesses casos não terão os benefícios da “liberdade condicional, nem da liberdade condicional antecipada”. “Apenas a revisão da sentença perpétua se aplicará e, se apropriado, o regime de liberação controlada”, acrescenta o documento. A prisão perpétua poderia ser revisada após 25 anos de pena.

Sob o controle do partido governista Novas Ideias (NI) de extrema direita, a Assembleia argumenta que a prisão perpétua “mantém sua compatibilidade com os padrões constitucionais internacionais sobre direitos das crianças, ao estabelecer a revisão obrigatória da sentença de acordo com as disposições do Código Penal, garantindo avaliação periódica.”

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Megaprisão de El Salvador e detidos acusados pelo Estado de integrarem gangues
Reprodução/CECOT

No entanto, organizações como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e a Human Rights Watch (HRW) rejeitam esses padrões. A CIDH entende que “a imposição da prisão perpétua a crianças e adolescentes é incompatível com a jurisprudência interamericana, pois é desproporcional ao propósito da ressocialização da pena”. Por sua vez, na mesma linha, a HRW denuncia que a possibilidade de revisar a sentença após 25 anos de prisão contradiz tratados internacionais.

O novo regulamento é implementado no âmbito do estado de emergência instaurado no país, que vigora desde março de 2022. A partir desse contexto, El Salvador registrou mais de 91 mil pessoas detidas, pelo menos 6,4 mil denúncias de violações de direitos humanos e tortura, e ao menos 500 mortes sob custódia de agentes do Estado.

(*) Com Telesur

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