Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
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Iván Cepeda, ex-candidato à presidência da Colômbia, acusou nesta sexta-feira (17/07) o presidente eleito, Abelardo de la Espriella, de traição e de entregar o controle da segurança do país aos Estados Unidos, mesmo sem ter assumido o cargo, o que só ocorrerá em 7 de agosto.

“Desde o início, ele começou a ameaçar seriamente nossa soberania nacional (…) O Sr. De la Espriella e seu círculo político estão traindo nosso país, estão traindo nossa soberania e estão entregando o controle de nossa segurança nacional ao governo dos EUA”, disse Cepeda em um breve comunicado à imprensa.

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A este respeito, ele indicou que os primeiros eventos que confirmam essa acusação já são visíveis, como a perseguição de opositores políticos com interferência dos EUA. Nesse sentido, mencionou o caso de Franklin Humberto Coral Garrido, conhecido como Beto Coral, cuja prisão nos EUA teria sido ordenada “pessoalmente” por “razões políticas” pelo Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio.

“Não tenho dúvidas de que esta decisão arbitrária foi tomada a mando do Sr. De la Espriella, que, pelo contrário, demonstrou total cumplicidade nas violações dos direitos humanos contra nossos companheiros migrantes”, disse Cepeda. Coral foi preso após participar de um protesto em Miami contra De la Espriella e já foi deportado para a Colômbia.

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Doutrina americana

Cepeda acredita que essa perseguição política inicial “é o prelúdio do que a nova Doutrina de Segurança Global dos EUA anuncia”. Ele alertou que “essa nova doutrina busca perseguir a esquerda política e social na América Latina e no mundo”.

Ele também denunciou que “esta é uma estratégia que, sob o pretexto de uma suposta luta contra o terrorismo por parte da esquerda política, visa a violações massivas dos direitos humanos, crimes contra a humanidade e a destruição da democracia, criminalizando migrantes, reprimindo brutalmente todas as formas de protesto social e revivendo antigas práticas de terrorismo de Estado que já testemunhamos na América Latina durante as décadas de 1970 e 1980”.

Além disso, Cepeda mencionou que o vice-presidente eleito, juntamente com De la Espriella, José Manuel Restrepo e a delegação que atualmente visita Washington, se comprometeram a “ser o aliado mais forte que os EUA têm na região” para “promover essa chamada política de segurança”.

Além disso, no contexto dessa mesma visita, porta-vozes do governo dos EUA anunciaram que “bases operacionais com presença militar americana para ações em áreas rurais” poderiam ser criadas na Colômbia, o que, segundo Cepeda, “é perfeitamente previsível que termine em graves violações dos direitos humanos contra a população civil”.

“Desobediência civil”

“De la Espriella pode tomar posse como presidente da República, mas esse ato formal não lhe conferirá legitimidade política e ética como presidente da República”, afirmou.

Nesse contexto, ele reiterou, em resposta às queixas que havia feito e como já havia anunciado anteriormente, que o único caminho possível de oposição é a “desobediência civil”, entendida como “uma ação pública, pacífica, não violenta e consciente, destinada a defender os princípios constitucionais e os direitos fundamentais dos colombianos”.

Cepeda anunciou nesta conferência de imprensa que não comparecerá à cerimônia de posse de De la Espriella.