Forças militares dos Estados Unidos atingiram nesta quarta-feira (02/09) mais uma embarcação supostamente utilizada para narcotráfico no Oceano Pacífico. A ação foi realizada pela Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental norte-americano, em coordenação com o governo de Daniel Noboa, no Equador.
Dessa vez, não houve mortes. Os militares norte-americanos interceptaram o navio e retiraram os tripulantes que foram entregues às autoridades equatorianas.
O Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom) afirma que a embarcação prestava apoio às operações de narcotráfico do grupo equatoriano Los Choneros, classificado como organização terrorista por Washington.
A ação teria interrompido “um nó crítico na cadeia logística dos traficantes”, afirma em comunicado. Segundo o Comando Sul, o navio operava como uma espécie de posto de reabastecimento flutuante, dando suporte a “operações de tráfico ilícito de drogas em alto-mar”.
Segundo Washington, Los Choneros, Los Lobos e Chone Killers mantém ligações com organizações do narcotráfico mexicano, como o Cartel de Sinaloa.
Este é o segundo navio afundado em menos de uma semana. Na sexta-feira (28/08), o Comando Sul destruiu o pesqueiro equatoriano Los Tres Hermanos, com a mesma alegação utilizada no ataque de hoje.
Os tripulantes, 14 pescadores, relataram que estavam voltando de 13 dias de pesca quando foram interceptados. Eles acusam os militares de apontar armas contra eles, algemá-los, vendar seus olhos e submetê-los a maus-tratos durante cinco horas. Eles formalizaram uma denúncia na Promotoria de Manta.
O Comando Sul dos Estados Unidos não informou apreensão de drogas nesta embarcação. Segundo os militares norte-americanos, informações de inteligência informaram que a embarcação era “estação flutuante de reabastecimento” para operações de narcotráfico que prestava apoio a Los Choneros.

EUA e Equador afundam embarcação suspeita de narcotráfico no Pacífico
Foto: @DefensaEc
Estados Unidos e Equador vêm realizando ações conjuntas em regiões equatorianas próximas à fronteira com a Colômbia. Um dia antes do ataque contra o pesqueiro, em 27 de agosto, autoridades militares e de Defesa dos três países se reuniram em San Lorenzo, na província equatoriana de Esmeraldas, junto à fronteira colombiana, para definir uma estratégia conjunta contra organizações criminosas que atuam na região.
Participaram do encontro o comandante do Comando Sul dos EUA, general Francis L. Donovan, e os ministros da Defesa do Equador, Gian Carlo Loffredo, e da Colômbia, Jorge Eduardo Mora, além de comandantes militares dos três países. A cooperação prevê compartilhamento de inteligência, apoio logístico e operações coordenadas em áreas consideradas estratégicas para o narcotráfico.
O Ministério da Defesa do Equador batizou a articulação de “Tridente da Segurança”. Ela começou a ser desenhada durante os exercícios militares Panamax 2026, quando Equador e Colômbia acertaram a preparação de operações conjuntas com apoio dos Estados Unidos.
A iniciativa inclui áreas dos departamentos colombianos de Nariño e Putumayo e das províncias equatorianas de Esmeraldas, Carchi e Sucumbíos.
Especialistas das Nações Unidas observam que essas campanhas militares dos Estados Unidos, iniciadas em 2 de setembro de 2025, contra embarcações suspeitas de envolvimento com o narcotráfico, já mataram pelo menos 223 pessoas.
Na última terça-feira (01/09), eles divulgaram um balanço acusando “assassinatos sistemáticos” em ações que “violam gravemente a obrigação fundamental de respeitar o direito à vida”. Os especialistas rejeitam a justificativa do governo norte-americano de que os ataques estão sendo realizadas em contexto de conflito armado.
“Os Estados Unidos estão simplesmente matando pessoas unilateralmente, sem qualquer base ou procedimento legal. Os supostos traficantes de drogas não são combatentes. Essas mortes são extrajudiciais e ilegais”, afirmam.
Levantamentos independentes mais recentes apontam um número ainda maior de mortes. Airwars e Human Rights Watch contabilizam pelo menos 227 mortes e 69 embarcações atingidas ao longo de um ano da campanha militar norte-americana.