Terça-feira, 23 de junho de 2026
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O ex-presidente boliviano Evo Morales denunciou na segunda-feira (15/06) a expulsão da delegação argentina composta por políticos e ativistas de esquerda que pretendiam documentar a situação dos manifestantes que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz.

“Denunciamos perante o povo boliviano e a comunidade internacional a expulsão de uma delegação de ativistas e defensores dos direitos humanos da Argentina”, declarou o ex-presidente em sua conta nas redes sociais.

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A denúncia surge após a notícia de que a Direção-Geral de Migração da Bolívia havia impedido a entrada no país de uma delegação de observadores de direitos humanos. As autoridades argumentaram que os membros da missão não atendiam aos requisitos legais para “admissão e permanência” em território nacional, enquanto os membros da missão denunciaram o caráter arbitrário e irregular das ações do Executivo contra eles.

“É um sinal alarmante que aqueles que vêm observar, documentar e defender direitos sejam tratados como inimigos, enquanto os vínculos e as visitas de agências de segurança dos EUA em nosso país se multiplicam. Foi assim que começaram os capítulos mais sombrios da nossa história latino-americana”, afirmou Evo Morales em sua publicação.

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O Ministério do Interior declarou em comunicado à imprensa que encontrou “inconsistências entre as condições declaradas para a entrada do grupo e as atividades anunciadas publicamente” por este, identificado como uma “missão de direitos humanos”. A administração sustentou que as medidas se basearam unicamente em critérios administrativos e que os convites de legisladores ou instituições nacionais “não substituem nem isentam o cumprimento dos requisitos de imigração”.

Policiais escoltaram os estrangeiros até um avião com destino a Santa Cruz, seu local de origem, em uma operação que gerou acusações de violações de direitos humanos por parte dos afetados. Juan Marino, deputado nacional pelo partido União pela Pátria e um dos indivíduos expulsos nessa operação, denunciou em sua conta nas redes sociais que a entrada deles na Bolívia foi negada e anunciou uma coletiva de imprensa para quando chegassem à Argentina.

O ex-presidente Morales afirmou que essa linha de ação do governo Paz “foi característica da Operação Condor e das ditaduras” que subjugaram os povos da América Latina, argumentando que “a Bolívia não pode seguir esse caminho”. “Quando defensores dos direitos humanos são expulsos e há tentativas de silenciar a observação internacional, a democracia enfraquece e alertas sobre o autoritarismo se espalham por toda a América”, advertiu o ex-presidente ao final de sua declaração.

Líderes camponeses rejeitam negociações entre COB e governo Paz

Líderes sociais e camponeses alinhados ao ex-presidente Evo Morales rejeitaram na segunda-feira a possibilidade de a Central Operária Boliviana (COB) participar de um diálogo com o Executivo, alertando que qualquer acordo firmado sem o apoio da base mobilizada seria desconsiderado.

As organizações mantêm sua exigência de renúncia do presidente após mais de 40 dias de bloqueios e protestos que paralisaram grande parte do país.

O líder camponês Nelson Virreira descreveu o apelo ao diálogo como uma “farsa”, afirmando que “Rodrigo Paz jamais dialogou com os setores sociais”. Em mensagem dirigida ao secretário-executivo da COB (Central Operária Boliviana), Mario Argollo, Virreira o exortou a não enganar o povo boliviano e a manter-se firme nos “princípios revolucionários” da organização sindical.

Por sua vez, Aquilardo Caricari, líder do Movimento Intercultural, alertou que, se a COB (Central Operária Boliviana) negociar sem consultar seus membros, perderá a autoridade para desmobilizar os manifestantes. “Veremos quem os escuta e tenta desmobilizar as pessoas que bloqueiam as estradas”, declarou Caricari, anunciando a ampliação dos bloqueios.

Da mesma forma, Vicente Choque, líder da Confederação Unificada dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB) e aliado de Evo Morales, afirmou que, embora alguns líderes tenham tentado negociar, a base rejeita qualquer proposta nesse sentido devido ao descontentamento com a situação econômica. “Mesmo que alguns líderes tentem negociar em nome desta luta, nós continuaremos”, afirmou Choque, convocando outros setores a se juntarem às táticas de pressão.

(*) com informações de teleSUR