Terça-feira, 6 de outubro de 2026
Compartilhe:

Em requerimento apresentado nesta quinta-feira (10/09), à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales (2006-2019) denunciou um esquema de perseguição e ameaças que estaria sofrendo de figuras ligadas ao atual mandatário do país, Rodrigo Paz.

Na petição, Morales solicita à CIDH uma medida de proteção contra o que descreveu como “uma estratégia de Estado” para colocar em risco a sua vida e a sua segurança.

E-mail

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.

Canal do WhatsApp O mundo em movimento direto no seu celular.
Siga
TV Opera Mundi Opinião, contexto e coragem jornalística.
Sintonize

Segundo o líder progressista boliviano, as ameaças têm acontecido desde o começo deste ano, mas se intensificaram nas últimas semanas. O requerimento conta com evidências em áudios e outras provas que registram tais ameaças.

Morales também afirma que essa estratégia seria “parte de um acordo entre o presidente Paz e o consultor argentino Fernando Cerimedo”. Este segundo é um consultor político argentino que foi preso em agosto pela tentativa de feminicídio de sua ex-companheira, a advogada Nadia Beller.

Cobertura especial Veja os resultados do 1° turno das Eleições Acompanhe

O ex-mandatário alega que o suposto acordo entre Paz e Cerimedo teria como objetivo não apenas prendê-lo como também manipular provas para tentar incriminá-lo pelo ataque a Beller – que já trabalhou como advogada em casos contra Morales –, e assim livrar o consultor argentino dessa denúncia, pela qual se encontra em prisão preventiva atualmente.

Evo Morales afirma que ameaças que recebe partem de figuras próximas ao atual presidente Rodrigo Paz Partido
Evo Pueblo

Trâmite

A CIDH, órgão que recebeu a solicitação, deve encaminhar o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanas, que poderá tomar uma decisão a respeito.

As medidas de proteção são emitidas pela Corte Interamericana em casos de gravidade e urgência, para prevenir situações que possam causar danos irreparáveis ​​a indivíduos. O tribunal, quando analisar o caso, deverá avaliar se a situação de Morales se enquadra nesse contexto. Entretanto, não há prazo para tal resposta.

O documento apresentado à CIDH é respaldado pelo ex-juiz argentino Raúl Zaffaroni (que foi membro da Corte Interamericana entre 2016 e 2021) e pelo jurista argentino Raúl Gustavo Ferreyra, especialista em direito constitucional, que destaca o fato de que “dadas as circunstâncias, a vítima (Evo Morales) não pode recorrer a nenhuma força estatal para proteção”.

Mais lidas