Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O acordo de livre comércio entre a União Europeia e os países do Mercosul “é inaceitável”, reiterou o ministro francês da Economia e Finanças, Roland Lescure, em entrevista à imprensa alemã neste domingo (14/12). A França pediu à União Europeia o adiamento do processo, previsto para esta semana, para a assinatura do tratado. No próximo sábado (20/12), ocorre a cúpula do Mercosul, no Brasil, na qual o bloco sul-americano espera assinar o tratado na presença da presidente da Comissão Europeia.

“A versão atual do tratado é inaceitável”, afirmou Lescure ao jornal econômico Handelsblatt. A posição da França, pressionada pelos agricultores do país, pode comprometer a assinatura do acordo UE-Mercosul, negociado há mais de duas décadas. Também neste domingo, a França pediu à União Europeia o adiamento dos “prazos” previstos para esta semana para selar o tratado, alegando que as condições “não estão reunidas para a votação” dos Estados europeus, informou Matignon em comunicado.

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A viagem ao Brasil da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para participar da cúpula do bloco econômico composto por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai ainda não foi confirmada. O encontro está marcado para 20 de dezembro, em Foz do Iguaçu, e o governo brasileiro, que ocupa a presidência rotativa do Mercosul, espera assinar definitivamente o texto durante o evento.

Esta semana será decisiva para o futuro da negociação. Os 27 países que integram a União Europeia devem se pronunciar sobre o acordo comercial entre os dias 16 e 19 de dezembro. Antes disso, aguardam o resultado de uma votação no Parlamento Europeu, na terça-feira (16/12), sobre garantias destinadas a tranquilizar os agricultores — especialmente os franceses — que se opõem fortemente ao tratado.

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Paris tem se movimentado para adiar a apreciação do Conselho para janeiro, o que atrasaria todo o calendário planejado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, favorável ao tratado.

Segundo o ministro Roland Lescure, uma “cláusula de proteção forte e eficaz” é a primeira das “três condições” exigidas pela França para aceitar o acordo. A segunda é que as normas impostas na UE para a produção agrícola “também sejam aplicadas à produção nos países parceiros”. A terceira seria o “controle de importações”.

Agricultores da França e de outros países, como Holanda e Polônia, denunciam concorrência desleal devido a padrões de produção menos rigorosos na América Latina. Eles temem impactos nos já fragilizados setores agrícolas europeus.

O tratado prevê facilitar as importações de carne bovina, aves e açúcar no bloco europeu, em troca de impulsionar as exportações europeias de automóveis, máquinas e vinhos para os países sul-americanos. Se aprovado, o acordo UE-Mercosul criará um mercado comum de 722 milhões de habitantes.