Governador de La Paz descarta renúncia do presidente boliviano
Luis Revilla diz que acordo é 'questão de dias', mas sindicatos e movimentos mantêm pressão e manifestam intenção de continuar a luta
O governador do departamento de La Paz, Luis Revilla, um apoiador do governo de Rodrigo Paz, afirmou nesta quinta-feira (11/06) que o retorno à normalidade na região é uma questão de dias, após confirmar que doze províncias de La Paz decidiram suspender os bloqueios de estradas.
Revilla afirmou que as demandas legítimas da população continuam sendo atendidas, mas esclareceu que os slogans políticos que visam exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz “não são viáveis e não fazem parte da agenda de diálogo”.
Em coletiva de imprensa, Revilla expressou sua confiança de que a normalização das atividades econômicas e sociais se consolidaria no fim de semana. O governador acredita que, após 42 dias, os manifestantes estão cansados, o que seria um dos principais motivos para que o fim de semana fosse um momento decisivo para o fim dos protestos.
“Todas as mobilizações, especialmente aquelas com objetivo político de obter a renúncia do presidente, não tiveram sucesso e não terão sucesso. O presidente não vai renunciar. Isso é um exercício político absurdo; não é uma reivindicação legítima”, afirmou.
Após mais de 42 dias de paralisação, o governador atribuiu a retirada dos manifestantes ao impacto econômico sobre milhares de famílias e à falta de apoio popular às medidas de protesto. “Muitas comunidades decidiram retornar às suas regiões porque o bloqueio não recebeu apoio popular e, de fato, a economia foi seriamente afetada”, explicou.

Governador de La Paz afirma que presidente da Bolívia não renunciará
Governo Autônomo Departamental de La Paz.
Revilla também informou sobre a retomada gradual do fornecimento de combustível e a reabertura de rotas estratégicas para o abastecimento de alimentos, como a estrada para Río Abajo, permitindo a entrada normal de produtos agrícolas em La Paz e El Alto. “O combustível começou a chegar às nossas cidades ontem e é essencial que essa situação se normalize durante o fim de semana”, afirmou.
Protestos continuam
Apesar dessas declarações, os protestos resultaram em mais de 80 bloqueios de estradas em todo o país, com 20 vias bloqueadas na própria cidade de La Paz, enquanto Cochabamba concentra o maior número de bloqueios, com 30. Sindicatos e agricultores mantêm a pressão sobre o governo de Rodrigo Paz e manifestaram a intenção de continuar a luta, apoiados por organizações como a Central Operária Boliviana (COB) e a Federação Departamental Unificada de Trabalhadores Camponeses de La Paz “Túpac Katari”.
Apesar de ter expressado seu apelo ao diálogo para encontrar uma solução definitiva, Revilla alertou que a necessidade urgente da população de retomar o trabalho está impulsionando o fim dos protestos. “A população chegou ao seu limite e precisa voltar a trabalhar, produzir e gerar renda para suas famílias”, concluiu.
No entanto, os movimentos sociais rejeitam as medidas neoliberais promovidas no país e mantêm a renúncia do presidente como uma de suas reivindicações. Enquanto isso, Rodrigo de Paz promoveu uma Lei que Regulamenta os Estados de Emergência, medida que permitiria às Forças Armadas intervir em protestos, embora o decreto que valida essa proposta e sua aprovação pelo legislativo ainda não tenham sido emitidos.
























