Governo cubano recebe diretor da CIA e reitera que ‘não apoia nem financia terrorismo’
John Ratcliffe reuniu-se com autoridades cubanas em Havana nesta quinta (14); visita ocorre após Washington oferecer 'assistência humanitária' à ilha
O diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, John Ratcliffe, realizou nesta quinta-feira (14/05) uma visita oficial a Havana, onde se reuniu com autoridades cubanas. O encontro ocorreu em meio ao anúncio de “ajuda humanitária’ por parte de Washington, após meses impondo um severo bloqueio energético contra a ilha.
Ratcliffe se encontrou com integrantes do Ministério do Interior cubano, incluindo o titular da pasta Lázaro Álvarez Casas. A visita ocorreu a pedido de Washington. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, Ratcliffe entregou uma mensagem do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos “se envolveriam seriamente” com o governo da ilha em questões econômicas e de segurança “se houver mudanças fundamentais” no país.
Em comunicado, as autoridades cubanas afirmaram que o encontro visou “contribuir para o diálogo político entre as duas nações, como parte dos esforços para abordar o cenário atual”. A reunião serviu para confirmar o interesse de ambas as partes no desenvolvimento da cooperação bilateral entre as forças policiais e os órgãos de segurança, “em prol da segurança de ambas as nações, da segurança regional e internacional”, diz o texto.
O governo cubano reiterou que Cuba “não abriga, não apoia, não financia e nem permite organizações terroristas ou extremistas” e que “não existem bases militares ou de inteligência estrangeira em seu território”. O comunicado esclarece ainda que a ilha não representa ameaça à segurança nacional norte-americana, salientando que o país “nunca apoiou qualquer atividade hostil contra os EUA, nem permitirá que Cuba tome qualquer ação contra outra nação”.

Governo cubano recebe diretor da CIA e reitera que ‘não apoia, nem financia terrorismo’
Bryan Ledgard / Wikimedia Commons
‘Ajuda humanitária’
O bloqueio energético imposto à ilha pelo governo de Donald Trump, desde janeiro deste ano, afeta gravemente o abastecimento energético de setores estratégicos do país. O último carregamento de petróleo chegou a Cuba em dezembro de 2025. Nesta quinta-feira (14/05), o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, confirmou a formalização, por parte do governo dos Estados Unidos, de uma oferta de assistência humanitária à ilha.
Em comunicado, o Departamento de Estado norte-americano anunciou uma ajuda avaliada em 100 milhões de dólares (cerca de R$ 570 milhões), “que seria distribuída em coordenação com a Igreja Católica e outras organizações humanitárias independentes confiáveis”.
Nas redes sociais, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel se manifestou sobre a oferta. “A experiência do nosso país em receber ajuda internacional, incluindo dos EUA, é ampla e construtiva”, disse.
“Se verdadeiramente houver disposição do governo norte-americano em prestar ajuda nos montantes que anuncia e em plena conformidade com as práticas universalmente reconhecidas para a ajuda humanitária, não encontrará obstáculos nem ingratidão por parte de Cuba”, acrescentou.
Segundo o líder cubano, as prioridades do país “são mais do que evidentes: combustíveis, alimentos e medicamentos”. Ele acrescentou que a forma mais fácil de aliviar os danos seria o fim ou o alívio do bloqueio imposto por Washington, “pois se sabe que a situação humanitária é friamente calculada e induzida”.
























