Quinta-feira, 14 de maio de 2026
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A guerra comercial entre Equador e Colômbia, intensificada pelo aumento recíproco das tarifas para 100%, começou a ser sentida nesta sexta-feira na fronteira binacional, onde autoridades e representantes do setor alertaram para perdas “gigantescas” e riscos para milhares de empregos.

“Infelizmente, não podemos chegar a acordos com aqueles que não compartilham o mesmo compromisso com o combate ao narcoterrorismo. Desde que tomamos essa medida, as mortes violentas na fronteira norte diminuíram 33%. No futuro, poderemos conversar com um governo que esteja comprometido com o combate ao crime e ao narcotráfico”, declarou o presidente Daniel Noboa em sua conta nas redes sociais após elevar as tarifas sobre produtos colombianos para 100%.

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Na província equatoriana de Carchi, a vice-prefeita Verónica García expressou considerável preocupação com o impacto das medidas, observando que o comércio, a agricultura e o transporte são as principais fontes de renda da região. García, que participou de uma reunião binacional na semana passada, afirmou que havia disposição para o diálogo e argumentou que a segurança das fronteiras não deveria ser priorizada em detrimento da economia.

Do lado colombiano, Xavier Flores, presidente executivo da Câmara de Comércio de Ipiales, afirmou que as perdas chegariam a aproximadamente US$ 5,5 milhões por dia, segundo dados da Associação Nacional de Comércio Exterior da Colômbia (Analdex). Ele explicou que o impacto também se estende a serviços relacionados, como hotéis, restaurantes, venda de autopeças, postos de gasolina e oficinas mecânicas.

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Presidente colombiano Gustavo Petro e equatoriano Daniel Noboa
Presidencia de Colombia / Presidencia de la República del Ecuador

Flores acrescentou que cerca de 12 mil famílias do lado colombiano já foram afetadas e alertou que a vida econômica da região fronteiriça está “em risco e por um fio”. Por essa razão, ele pediu à Comunidade Andina, que inclui Equador, Colômbia, Peru e Bolívia, que demonstre sua capacidade de resolver esse tipo de conflito entre os países membros. “É hora de a Comunidade Andina de Nações mostrar que é capaz de gerar uma política de integração econômica internacional”, afirmou.

O presidente Gustavo Petro indicou que esse aumento tarifário significava o fim da participação colombiana no Conselho Andino, e que o país passaria a integrar o Mercosul e a entrar no espaço caribenho e centro-americano como área de colaboração.

No entanto, apesar dessa situação tarifária, o presidente colombiano Gustavo Petro anunciou em seu perfil no canal X que “o governo colombiano permitirá a entrada da produção equatoriana necessária para a Colômbia com tarifa zero”.

A escalada tarifária entre os dois países teve início com a imposição de tarifas de 30% a partir de 1º de fevereiro e de 50% a partir de 1º de março pelo presidente equatoriano Daniel Noboa, sob a justificativa da participação limitada da Colômbia na luta contra o narcotráfico.

Vale ressaltar que nesta quinta-feira o Equador anunciou que aumentará as tarifas sobre produtos colombianos de 50% para 100% a partir de 1º de maio, medida à qual a Colômbia respondeu nesta sexta-feira de forma equivalente em relação aos produtos equatorianos.

(*) com teleSUR