Sábado, 8 de agosto de 2026
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O Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciou nesta segunda-feira (23/02) um cessar-fogo unilateral para as próximas eleições na Colômbia, em meio a um aumento da violência política com atentados, sequestros e ameaças contra candidatos e dirigentes.

O país elegerá neste ano novos congressistas e o sucessor do presidente de esquerda Gustavo Petro, em eleições marcadas pela pressão violenta dos grupos armados e pelo assassinato a tiros, em 2025, do senador e aspirante presidencial de direita Miguel Uribe, entre outras agressões contra políticos.

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As eleições legislativas serão em 8 de março e as presidenciais, em 31 de maio.

O “cessar-fogo de forma unilateral” foi anunciado pelo ELN por meio de um comunicado divulgado em suas redes sociais. A guerrilha costuma ordenar tréguas temporárias durante os períodos eleitorais e nas festividades de Natal e fim de ano.

Mais lidas

O governo de Petro tentou sem sucesso negociar a paz com o ELN, que nos últimos anos se fortaleceu com as rendas da produção de cocaína, segundo especialistas.

Os rebeldes assumiram neste mês um atentado a tiros contra o veículo do senador da Aliança Verde Jairo Castellanos, no qual morreram dois de seus guarda-costas, após ele se recusar a parar em uma barreira ilegal. Castellanos, que busca a reeleição, não viajava no comboio.

Segundo a Defensoria do Povo, órgão estatal que zela pelos direitos humanos na Colômbia, o ELN é uma “fonte de ameaça” contra as eleições, especialmente em áreas rurais com escassa presença do Estado.

bandeira ELN

Cessar-fogo unilateral do grupo armado será para as próximas eleições na Colômbia
Julián Ortega Martínez / Wikimedia Commons

Entre os grupos armados apontados pela Defensoria também estão o Clan del Golfo, o principal cartel do narcotráfico na Colômbia, e facções dissidentes da extinta guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que se afastaram do acordo de paz de 2016.

“Nossa preocupação central é com a liberdade com que essas eleições se desenvolverão em certas regiões do país”, disse a diretora da Defensoria, Iris Marín, ao apresentar um relatório sobre o tema nesta segunda-feira.

Segundo o documento, durante o período pré-eleitoral foram registradas 457 ameaças de morte contra líderes sociais e políticos. “É muito preocupante e está claro que há uma deterioração da situação”, disse em entrevista à AFP o chefe da Missão de Verificação da Organização das Nações Unidas (ONU) na Colômbia, Miroslav Jenča.

O diplomata fez “um chamado a esses grupos armados para assumir um compromisso” e garantir que as eleições sejam realizadas livremente.

Após tentativas de diálogo fracassadas, Petro redobrou sua ofensiva contra grupos armados como o ELN, que conta com 6.200 combatentes e não contempla tréguas com nenhuma organização armada.