Quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
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Em reportagem publicada nesta quinta-feira (29/01), o diário Financial Times afirma que Cuba vive o auge da crise energética, com reservas de petróleo capazes de sustentar o país por apenas 15 a 20 dias, de acordo com os níveis atuais de demanda e produção interna.

Os dados são de um informe da empresa Kpler, do ramo da inteligência comercial global, que analisa o cenário para a ilha após os Estados Unidos cortarem o fornecimento petroleiro da Venezuela e estabelecerem um bloqueio marítimo que impede envios de outros países aliados, como Argélia, México e Rússia.

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Na última terça-feira (28/01), o governo do México admitiu o cancelamento de um carregamento de petróleo para Cuba, afirmando se tratar de uma “decisão soberana que vem sendo tomada há muitos anos” pelo Estado mexicano, e não uma resposta à pressão dos Estados Unidos.

Porém, na quarta, a presidente Claudia Sheinbaum negou ter dito que as exportações ao país insular haviam parado e que o cancelamento do dia anterior teria sido um caso pontual.

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Ela completou dizendo que os carregamentos de petróleo para Cuba são feitos por meio de contratos com a estatal petroleira Pemex ou em forma de ajuda humanitária, também a partir de um acordo entre os dois governos.

Já o governo da Venezuela interrompeu os envios de petróleo ao país aliado em agosto, quando os Estados Unidos iniciaram o bloqueio marítimo ao país. A medida, portanto, foi aplicada antes da ação militar que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores – embora também tenha sido fruto de uma imposição de Washington.

Após o sequestro de Maduro, o presidente norte-americano Donald Trump mudou o alvo do bloqueio marítimo para Cuba e abertamente se tratar de uma medida buscando uma mudança de regime no país. “Eles (cubanos) estão muito perto do colapso”, alegou.

Os dados da Kpler também mostram que as exportações de petróleo da Rússia e da Argélia, que forneceram petróleo para Cuba no passado, foram apenas esporádicas. O último carregamento da Rússia foi em outubro passado, enquanto o da Argélia foi em fevereiro de 2025.

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‘Racionamento severo’

Ainda segundo o informe da Kpler, Cuba “vem sofrendo há alguns meses com apagões quase diários”. Ademais, afirma que caso as entregas petrolíferas não sejam retomadas, “o país pode ter que impor um racionamento ainda mais severo”.

A reportagem do Financial Times traz uma declaração de dois especialistas em política energética. Um deles é Jorge Piñón, da Universidade do Texas, para quem Cuba “tem uma grande crise em mãos”.

Segundo sua análise, o país “recebeu apenas 84,9 mil barris este ano, levados por um único carregamento mexicano, no dia 9 de janeiro. Isso equivale a pouco mais de 3.000 barris por dia (b/d), abaixo da média de 37.000 b/d de todos os fornecedores em 2025”.

Já a analista econômica, Victoria Grabenwöger, especialista em petróleo bruto da empresa Kpler, é quem apresenta a estimativa de que Cuba pode ficar sem petróleo dentro 15 ou 20 dias.

Ela justifica a previsão observando que “o carregamento de janeiro foi adicionado aos cerca de 460 mil barris estocados no início do ano, uma quantidade que deve ser avaliada em função do nível de consumo energético do país atualmente”.

O informe da empresa também ouviu um consultor de política energética da Cidade do México, Gonzalo Monroy, segundo quem “Cuba dependia muito da Venezuela, depois passou a ter só o México, e agora o México está sob pressão dos Estados Unidos e não pode exportar, portanto, o país tem um grande problema”.