Itália diz que aprovará acordo Mercosul-UE quando 'problemas forem resolvidos'; Lula pressiona
Presidente brasileiro afirmou que países latino-americanos já fizeram todas as concessões possíveis; França lidera frente de oposição
A Itália afirmou que está disposta a apoiar o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, desde que pendências no setor agrícola sejam resolvidas. Nesta quinta-feira (18/12), o vice-primeiro-ministro e chanceler italiano, Antonio Tajani, afirmou que “existem problemas no mundo agrícola que ainda não foram completamente resolvidos”, segundo a agência Ansa.
“Uma vez resolvidos, a Itália está pronta para apoiar o acordo com o Mercosul, que, em princípio, é uma escolha com a qual concordamos 100%”, acrescentou o chanceler. Segundo ele, Roma nunca se recusou a dialogar, mas considera que ainda existem entraves relevantes que precisam ser equacionados antes da aprovação do tratado.
De acordo com Tajani, o principal ponto de preocupação do governo italiano diz respeito à falta de reciprocidade nas regras que afetam o agronegócio. A Itália defende igualdade de exigências em temas como normas trabalhistas, uso de pesticidas e outros aditivos agrícolas, alguns deles proibidos na União Europeia, mas ainda amplamente utilizados por produtores sul-americanos.
“Uma vez resolvidos esses problemas, a Itália está pronta para apoiar o acordo com o Mercosul, que, em princípio, é uma escolha com a qual concordamos plenamente”, afirmou Tajani.
Na quarta-feira (16/12), a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, também havia sinalizado cautela, avaliando como prematuro concluir o acordo neste momento.
Lula: ‘agora ou nunca’
Em discurso durante uma reunião do Conselho de Ministros, em Brasília, o presidente Lula reiterou as cobranças por uma definição imediata. Ele disse que o acordo precisa ser fechado agora, sob risco de não ser mais assinado durante seu mandato. “Se não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente”, declarou.
O presidente conversou com Meloni, afirmando que recuou do ultimato que havia dado para a União Europeia aprovar o acordo de livre comércio com o Mercosul ainda em 2025. O telefonema não estava na agenda oficial do petista, que revelou o teor da conversa durante uma coletiva de imprensa em Brasília.
“Ela [Meloni] disse para mim que se a gente tiver paciência de uma semana, de 10 dias, no máximo um mês, a Itália estará junto com o acordo”, disse.

Lula condenou ataques de Israel e leu nota do Itamaraty contra novos assentamentos na Cisjordânia
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
Segundo ele, a própria agenda do Mercosul foi alterada a pedido da União Europeia, sem que isso resultasse em avanços concretos. Ele também destacou que as negociações se arrastam há 26 anos e afirmou que o tratado beneficia mais a União Europeia do que os países do Mercosul. As negociações em torno do acordo foram iniciadas em 1999.
O presidente brasileiro também citou diretamente a oposição do presidente francês, Emmanuel Macron, motivada por pressões do setor agrícola. E afirmou que os países do Mercosul já fizeram todas as concessões possíveis ao longo das negociações.
Regras mais rígidas
Alemanha e Espanha defendem que a assinatura ocorra ainda esta semana, destacando o potencial econômico e estratégico do tratado, que envolveria um mercado de cerca de 722 milhões de pessoas. Nesta terça-feira (16/12), o Parlamento Europeu aprovou novas salvaguardas destinadas a proteger setores sensíveis da economia europeia.
As regras ficaram ainda mais severas para os países do Mercosul, com o endurecimento de mecanismos de defesa comercial contra os países do bloco. Pela nova regra, a Comissão Europeia deverá abrir investigações sempre que a variação de preços de produtos considerados sensíveis ultrapassar 5%, metade do limite de 10% previsto no texto original.
Além disso, ficou estabelecido que os produtos agrícolas e mercadorias do Mercosul poderão sofrer sanções caso não atendam aos rigorosos padrões sanitários exigidos pela União Europeia. Neste caso, as salvaguardas serão automaticamente aplicadas.
A posição italiana é considerada estratégica dentro da UE e reforça a pressão exercida pela França para adiar a adoção do tratado para 2026. Paris reiterou sua disposição de reagir “com firmeza” a qualquer tentativa de impor o acordo à revelia dos Estados-membros. Em declaração, o governo Macron afirmou que o país se oporia energicamente a uma eventual adoção forçada do tratado por parte das instituições europeias.























