Em primeiro discurso como presidente, Kast fala em fazer ‘governo de emergência’ no Chile
Líder da extrema direita local sucede Gabriel Boric e leva pinochetismo de volta ao Palácio de La Moneda; também recebeu convite de Lula para visitar o Brasil
Em cerimônia realizada no Congresso Nacional chileno, em Valparaíso, José Antonio Kast, líder do ultradireitista Partido Republicano, assumiu a Presidência do Chile, para um mandato previsto para terminar em março de 2030.
O novo mandatário recebeu a faixa presidencial do agora ex-presidente Gabriel Boric (2022-2026), representante da Frente Ampla de esquerda, que perdeu as eleições de 2025 na qual competiu com a candidatura de Jeannette Jara, do Partido Comunista.
Kast venceu Jara no segundo turno com 58,2% dos votos válidos, contra 41,8 de Jara – que havia sido a mais votada no primeiro turno, mas acabou sendo superada no segundo.
O novo presidente se distingue por seu discurso que enfatiza políticas duras em temas de segurança pública e perseguição aos imigrantes, além de forte diminuição do Estado, em termos econômicos.
Antes de empossar o presidente, o mesmo Congresso Nacional realizou a cerimônia de transição das duas casas legislativas, e a posterior eleição de seus novos presidentes. A Càmara dos Deputados passou a ser presidida por Jorge Alessandri, sobrinho-bisneto do ex-presidente Arturo Alessandri (dois mandatos: 1920-1925 e 1932-1938). Já o Senado será liderado por Paulina Núñez.
‘Governo de emergência’
Em seu primeiro discurso como presidente, realizado já durante a noite, em uma sacada do Palácio de La Moneda, em Santiago, Kast afirmou que fará um “governo de emergência” no Chile, em referência ao que considera ser um “estrago imensurável” deixado por seu antecessor, Gabriel Boric.
“Herdamos um país em péssimas condições, mas isso não é desculpa. Dizemos isso porque o Chile merece saber a verdade, porque quando o diagnóstico é ocultado, os tratamentos falham, e queremos abordar essas situações com transparência. E porque o público tem todo o direito de saber o que foi feito e o que deixou de ser feito”, acrescentou.
O novo mandatário enfatizou que “para enfrentar essas urgências em segurança, saúde, educação, emprego e tantas outras áreas, o Chile precisa de um governo de emergência. E é isso o que teremos”.
“Um governo de emergência não é apenas um slogan. É uma missão de levar ordem onde há caos, alívio onde há dor, mão firme onde há impunidade. É a esperança real, concreta e alcançável para aqueles que foram ignorados durante muito tempo”, completou Kast.

José Antonio Kast, após receber a faixa presidencial chilena
Rádio Cooperativa
Convidados internacionais
Durante a cerimônia no Congresso, estiveram presentes os presidentes da Argentina, Javier Milei; da Bolívia, Rodrigo Paz; da Costa Rica, Rodrigo Chaves; do Equador, Daniel Noboa; de Honduras, Nasry Asfura; do Panamá, José Raúl Mulino; do Paraguai, Santiago Peña; e do Uruguai, Yamandú Orsi; além do rei da Espanha, Felipe VI.
Outra figura internacional presente foi a líder opositora venezuelana e ganhadora do Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado.
Sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a delegação brasileira presente em Valparaíso foi encabeçada pelo chanceler Mauro Vieira, que entregou ao mandatário chileno um convite enviado pelo próprio Lula para uma visita ao Brasil ainda este ano.
Também esteve presente na cerminônia chilena o pré-candidato presidencial de extrema direita braisleira Flávio Bolsonaro, cuja família tem em Kast um dos seus aliados ideológicos regionais.
Após receber a faixa presidencial, o novo presidente recebeu os convidados internacionais em um almoço no Palácio de Cerro Castillo, em Viña del Mar.
Com informações de Diario UChile.
























