Partido de Sánchez pede anulação de 647 seções eleitorais nos Estados Unidos
Juntos Pelo Peru acusa irregularidades durante votação no exterior e registra problemas em 1.751 seções eleitorais em diferentes regiões do território peruano
O partido Juntos pelo Peru, do candidato presidencial Roberto Sánchez, apresentou um pedido formal à Justiça Eleitoral peruana para anular os resultados de 647 seções eleitorais instaladas nos Estados Unidos durante o segundo turno das eleições presidenciais.
A solicitação foi encaminhada ao Júri Eleitoral Especial Lima Centro 2 pelo representante legal da legenda, Carlos Zafra Flores. O jornal peruano La Republica informa que, na solicitação enviada, o partido pede que os votos registrados nessas seções, que representam 86% das mesas instaladas no país, não sejam considerados na contagem final.
Segundo a legenda, houve uma série de irregularidades durante a votação no exterior, incluindo uma suposta atuação indevida de funcionários dos consulados peruanos e do Ministério das Relações Exteriores, além de membros das mesas eleitorais que teriam orientado os eleitores a votar em Keiko Fujimori (Força Popular).
Em Nova York, por exemplo, funcionários do consulado foram acusados de instruir representantes eleitorais a assinar documentos em branco sob o pretexto de “agilizar o processo”. Em outro caso, um funcionário eleitoral de Salt Lake City aconselhou os eleitores a votarem na candidata da direita.
Com 98.2% das urnas abertas, Fujimori e Sánchez disputam a vitória voto a voto. Segundo os dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru (ONPE), a candidata da direita se mantém à frente com 50% dos votos ante 49,9%.
Nos Estados Unidos, informa El Universo, a candidata da direita conta com 76 % dos votos ante 23% de Sánchez. No exterior com um todo, Fujimori obteve 63,42% dos votos contra 36,58% de Sánchez.
Mesas unificadas
A denúncia também aponta que algumas mesas teriam sido unificadas em desacordo com as normas eleitorais vigentes. A prática foi observada, por exemplo, na Carolina do Norte, onde três membros da mesa eleitoral assinaram simultaneamente dois documentos fundindo mesas eleitorais, sem qualquer justificativa.
De acordo com o recurso apresentado, essas práticas teriam comprometido a transparência do processo e influenciado os resultados obtidos no exterior.

Partido de Sánchez pede anulação de 647 seções eleitorais nos EUA
@KeikoFujimori / @RobertoSanchP
Outro ponto levantado pelo Juntos pelo Peru refere-se ao envio do material eleitoral. A legenda argumenta que os procedimentos de segurança adotados para a remessa das atas eleitorais foram flexibilizados em comparação com o primeiro turno.
A Lei Orgânica das Eleições do Peru prevê a anulação de uma votação quando forem comprovadas fraudes, subornos ou irregularidades graves capazes de alterar os resultados do pleito. Até o momento, as autoridades eleitorais não se pronunciaram sobre o recurso.
Anulação de votos
O partido também protocolou um segundo pedido de anulação envolvendo 1.751 seções eleitorais em diferentes regiões do Peru. Segundo a legenda, uma análise estatística identificou 584 padrões de repetição exata nos resultados dessas mesas, o que, na avaliação da sigla, indicaria possíveis irregularidades no preenchimento das atas eleitorais.
Flores afirmou que a repetição dos mesmos padrões de votação em centenas de seções espalhadas pelo país “desafia toda probabilidade matemática” e “denota uma adulteração sistemática e coordenada no preenchimento da folhas de contagem”.
























