A Justiça argentina arquivou nesta sexta-feira (02/10) a investigação contra o ex-presidente da Bolívia Evo Morales por suposto abuso de menores e tráfico de pessoas durante o período em que esteve asilado no país.
O juiz federal Sebastián Ramos concluiu que não foi comprovada a existência dos crimes denunciados após analisar registros migratórios e ouvir integrantes da Polícia Federal responsáveis pela segurança do ex-presidente.
A investigação buscava determinar se adolescentes bolivianas teriam sido levadas ao país e convivido com o ex-presidente em situação de exploração. O caso foi reaberto em abril de 2025 pela Câmara Federal de Buenos Aires.
As denúncias se referiam ao período de 2019 e 2020, quando Morales deixou a Bolívia após sua renúncia à Presidência e, depois de passar pelo México, recebeu asilo político na Argentina.

O juiz Ramos ouviu 28 integrantes da Polícia Federal argentina que trabalharam na segurança de Morales durante sua permanência no país. Nenhum dos agentes afirmou ter presenciado menores vivendo nas residências utilizadas pelo ex-presidente, realizando trabalhos domésticos ou submetidas a situações de exploração.
“Os resultados consistentes dessas investigações permitiram descartar a convivência de mulheres menores de idade com o acusado e a existência de situações de exploração nas residências investigadas”, afirmou o juiz na decisão.
O magistrado também analisou registros da Direção Nacional de Migrações para verificar as idades e as datas de entrada e saída do país das mulheres mencionadas nas denúncias.
A decisão diz respeito exclusivamente aos fatos investigados na Argentina. Morales é alvo de outros processos na Bolívia, que tramitam separadamente e não são atingidos pelo arquivamento determinado pela Justiça argentina.