Justiça argentina convoca ex-deputado aliado de Milei para depor em caso de lavagem de dinheiro
José Luis Espert é investigado por supostos vínculos com empresário acusado de tráfico de drogas; transferência de US$ 200 mil resultou na renúncia da candidatura em 2025
A Justiça Federal argentina agendou para a próxima terça-feira (30/06) a audiência preliminar do ex-deputado federal José Luis Espert, acusado de lavagem de dinheiro e supostos vínculos com o empresário Federico “Fred” Machado, acusado de tráfico de drogas.
O procurador Fernando Domínguez solicitou o comparecimento de Espert após detectar manobras para impedi-lo de depor e ocultar sua relação com Machado, que foi extraditado para os Estados Unidos no âmbito de uma investigação por tráfico de drogas e fraude financeira. Na audiência, Espert, que nas eleições de 2025 era o principal candidato legislativo do Libertad Avanza, partido que levou Javier Milei à presidência, poderá exercer seu direito à defesa.
A investigação teve origem numa denúncia apresentada pelo congressista Juan Grabois, que apontou a existência de documentos judiciais nos Estados Unidos que registravam uma transferência de US$ 200.000 (R$ 1.037.400,00) para uma conta ligada a Espert, que teve de renunciar à sua candidatura no início de outubro de 2025 devido a este caso.
Embora tenha negado inicialmente a transação, o ex-congressista acabou admitindo ter recebido o dinheiro. Além disso, durante uma busca na casa de Machado em Viedma, foi encontrado um contrato de um milhão de dólares, supostamente ligado a um projeto de mineração na Guatemala. No entanto, segundo o promotor, não há provas de que Espert tenha viajado ao país ou realizado qualquer trabalho relacionado ao projeto.

Ex-deputado federal José Luis Espert
Foto: Cámara de Diputados de la Nación / Wikimedia Commons
Domínguez enfatizou que “não há registro de sequer uma única visita à mina guatemalteca na qual (Espert) supostamente basearia seu plano de trabalho”. Essa falta de evidências reforçou as suspeitas de que o contrato foi usado como fachada para justificar a transferência.
As medidas cautelares determinadas pelo tribunal incluíram a restrição de acesso aos bens de Espert, e o tribunal rejeitou repetidamente os pedidos de sua defesa para suspender essas restrições. O caso está em fase avançada e prevê-se um processo criminal.
O escândalo obrigou Espert a renunciar à sua candidatura legislativa pelo partido Libertad Avanza e a solicitar uma licença remunerada da Câmara dos Deputados.
Segundo declarações do contador Mariano Consentino, várias estratégias foram consideradas para justificar os valores: declará-los como “serviços não prestados”, apresentá-los como remuneração , registrá-los como doação ou simplesmente não declará-los. Essas alternativas visavam reduzir o impacto tributário e evitar penalidades.























