Líderes peronistas defendem Lula contra insultos de Milei: 'respeitamos nossos vizinhos'
Governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, alertou sobre impactos das declarações de ultradireitista nas relações diplomáticas e política comercial entre países
O peronismo argentino, representado pelo governador Axel Kicillof, pelo Partido Justicialista (PJ), por La Cámpora e pela Frente Renovadora, uniu-se em defesa do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, após as ofensas proferidas pelo presidente Javier Milei durante o lançamento da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no último sábado (25/07), em São Paulo, onde se referiu a Lula como “presidiário” e “ladrão”.
Líderes políticos argentinos alertaram sobre o impacto nas relações diplomáticas e as consequências econômicas para o emprego, pequenas e médias empresas (PMEs) e exportações.
O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, rejeitou publicamente a posição do governo nacional. “Ontem, assistimos com consternação à declaração do presidente Milei, na qual ele ofendeu e insultou o governo brasileiro, seu presidente e seu povo. Na Argentina, respeitamos nossas nações vizinhas e irmãs”, afirmou Kicillof, acusando Milei de querer se tornar “amigo” do presidente dos EUA, Donald Trump, e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Kicillof relatou que contatou diretamente o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, em nome da seção de Buenos Aires do Partido Justicialista, para transmitir sua condenação às declarações do presidente. “Eu disse a ele a mesma coisa que estou repetindo agora: ‘não em nosso nome, Milei'”, afirmou.
Ele destacou os riscos comerciais com o Brasil: “o que Milei está fazendo não é apenas imprudente, mas também ruim e arriscado; coloca em risco empregos, investimentos e os interesses coletivos do povo argentino.”

Peronistas defendem Lula e repudiam insultos de Milei: ‘respeitamos nossos vizinhos’
@Kicillofok / X
Pelo partido Frente Renovação, o presidente e deputado Diego Giuliano questionou o uso de viagens oficiais. “Um presidente viaja para defender os interesses da Argentina, não para fazer campanha ou insultar o líder do nosso principal parceiro comercial. Cada desentendimento diplomático em que Milei se envolve acaba prejudicando nossa indústria, nossas exportações e nossos trabalhadores”, argumentou.
Nesse sentido, a deputada Cecilia Moreau descreveu as declarações como inaceitáveis e afirmou que “nunca na história um presidente argentino viajou para outro país para insultar publicamente o seu líder”.
Declarações ‘inaceitáveis’
O Partido Justicialista, presidido por Cristina Fernández de Kirchner, descreveu os ataques feitos nas redes sociais como “uma vergonha para a história da integração regional” e “inaceitáveis vindos de um presidente da nação”.
O PJ enfatizou que as declarações representam “o capítulo mais sombrio da política externa e das relações bilaterais com a nossa nação irmã” e instou o Executivo a “retornar ao caminho do respeito, do diálogo e da integração”.
A organização La Cámpora questionou o alinhamento internacional da Casa Rosada. “Milei ataca Lula, o presidente de uma nação irmã e principal parceiro estratégico do nosso país. O homenzinho que temos na Casa Rosada está sempre contra a Argentina”, afirmou o grupo.
A organização também vinculou a política externa oficial aos compromissos financeiros do mandatário argentino: “amanhã ele receberá os saqueadores do FMI com honras”, definindo o presidente como “o presidente mais anti-Argentina que existe”.
Acusações sem provas
Em meio a tensões diplomáticas, Javier Milei acusou os governos do Brasil e do México, bem como o Partido Democrata dos Estados Unidos, de financiarem uma suposta “campanha anti-argentina” ligada a questionamentos sobre o país e sua seleção nacional no contexto da Copa do Mundo, sem apresentar qualquer prova.
“Quem investiu mais dinheiro nessa campanha anti-Argentina… o governo brasileiro. 25% dos recursos vieram do governo brasileiro. E depois vêm me falar de interferência “, declarou Milei em entrevista à Rádio Mitre.
O presidente argentino acrescentou que a campanha foi financiada “pelo México, pelo Partido Democrata nos Estados Unidos, bem, quem são eles? … são os líderes progressistas que não querem que as ideias de liberdade funcionem.”























