Quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
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O ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de interferir nas eleições gerais de Honduras, ocorridas no último domingo (30/11). ‘Sobrevivemos a uma narcoditadura, você acha que um tweet seu vai nos intimidar?’, questionou Zelaya, em suas redes sociais.

Em longa mensagem publicada na plataforma X, ele afirmou que Trump junto a setores do bipartidarismo hondurenho para impor um “golpe eleitoral”, manipulando o pleito com o objetivo de impedir o avanço da candidata do Partido Livre, Rixi Moncada.

Zelaya escreveu que, apesar das tentativas de ingerência, a presidenta Xiomara Castro segue como liderança nacional expressiva, com “mais de 55% de apoio por seu bom governo”.

Em defesa de Moncada, o ex-presidente, vítima de um golpe de Estados no país, em 2009, destacou que o “[Partido] Livre apresenta uma candidata irrepreensível, honesta, sensível, capaz, com caráter firme e uma campanha profundamente democrática, baseada em uma proposta econômica que liberta o povo e rompe os privilégios das elites”.

Zelaya declarou que os ataques buscam justamente conter um projeto que desafia o controle histórico das elites e a influência permanente de Washington. E qualificou a intervenção estrangeira como “grosseira, ameaçadora e infame”.

Perdão a Hernández

Ele condenou a decisão de Trump de conceder perdão ao ex-presidente Juan Orlando Hernández (JOH), ligado ao narcotráfico, condenado e preso nos Estados Unidos, como uma forma de interferir diretamente no ambiente político hondurenho.

E lembrou a trajetória de resistência do país que enfrentou “golpes de Estado, fraudes monumentais, assassinatos políticos e perseguição”. E respondeu às acusações contra o seu partido: “podem nos chamar de comunistas, socialistas, insurgentes, do que quiserem. Somos hondurenhos livres e lutamos pela autodeterminação dos povos e por uma pátria digna, justa e independente”.

“Nem Washington nem a oligarquia podem decidir por nós”, afirmou Zelaya, concluindo que “aqueles de nós que lutam pela liberdade estão de pé; Somos patriotas e ninguém desiste”, acrescentou.

Denúncias

As denúncias de Zelaya se somam a uma extensa lista de irregularidades expostas nesta quarta-feira (03/12) pelo conselheiro do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Marlon Ochoa, informa a TeleSur.

A apuração foi suspensa na segunda-feira (01/12). No momento da interrupção, Asfura estava na frente, com 39,91% dos votos válidos, contra 39,89% de Nasralla. Retomada, a apuração nesta quarta-feira (03/12), com 64% das urnas abertas, apontou uma vantagem de 6 mil votos a Nasralla, que segue à frente, com margem apertada de votos.

Ochoa listou vários problemas estruturais que marcaram as eleições no último domingo (30/11), como falhas biométricas; retenção de atas; inconsistências no sistema TREP, responsável pela transmissão dos dados eleitorais; falta de acesso público aos resultados e total ausência de processamento das atas físicas retornadas dos centros de votação até 2 de dezembro.

Ele relatou que o sistema TREP “não garante certeza ou consistência”, explicando que, ao transcrever uma ata, o sistema pode “projetar a imagem de um local eleitoral, mas atribuir votos a outro sem que o transcritor perceba”, criando distorções que comprometem diretamente o resultado.

Zelaya denuncia interferência de Trump nas eleições hondurenhas
@FFAAHN

16 mil atas não divulgadas

A TeleSur informa que durante uma sessão do CNE, que avançou até às três da madrugada, a empresa ASD comunicou que 16.708 atas de fechamento tinham sido retidas e não foram divulgadas ao público. Delas, 3.880 atas dizem respeito a pleito presidencial; 6.387 sobre a escolhas de deputados e 6.441 de prefeitos municipais.

Ochoa também destacou que o sistema de divulgação de resultados esteve repetidamente fora do ar, sem explicação técnica conclusiva até o momento, apesar das solicitações formais de esclarecimento às empresas responsáveis.

Ele criticou ainda a decisão da maioria dos conselheiros de permitir acesso privilegiado às salas de divulgação apenas a partidos políticos e meios de comunicação a partir das 07H00 do dia 2 de dezembro. Para Ochoa, essa prática viola os princípios de transparência, já que a página de divulgação deveria estar disponível a toda a população, conforme estabelece a lei.

O ponto mais grave, segundo ele, foi que às 13h15 do dia 2 de dezembro, nenhuma das atas físicas enviadas pelos centros de votação havia sido processada — fato que qualificou como um “ato irregular” capaz de semear “dúvidas e incertezas” sobre a integridade do processo.

Moncada

As denúncias se somam às da candidata do Partido Livre, Rixi Moncada, que nesta segunda-feira (02/12) reforçou a gravidade do cenário, ao acusar “fraude eleitoral” construída a partir da eliminação da validação biométrica, aprovada uma noite antes das eleições. Segundo ela, a decisão “permite a soma de votos inflados, especialmente no nível presidencial”.

Sua equipe técnica identificou 2.859 atas sem biometria, representando 25,35% do total, com média de 217 votos por ata e casos com até 100 votos adicionais ilegítimos. “Vamos exigir, neste período dos 30 dias da contagem geral final, que essas atas sejam revisadas e vamos utilizar recursos jurídicos”, afirmou.