María Corina Machado não comparece à premiação do Nobel e é representada pela filha
É esperado que opositora venezuelana chegue em Oslo ainda nesta quarta (10); evento contou com presidentes da extrema direita latino-americana Javier Milei, Daniel Noboa, José Raúl Mulino e Santiago Peña
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz apesar das várias tentativas de golpe, não compareceu à cerimônia de entrega do prêmio nesta quarta-feira (10/12), em Oslo, na Noruega. Em seu lugar, compareceu a filha Ana Corina Sosa Machado que, ao receber a honraria, informou que sua mãe chegará na capital nas próximas horas.
Por cerca de 25 minutos, Ana Corina leu o discurso redigido pela figura premiada, em um texto que dirigiu críticas contra o governo de Nicolás Maduro. Machado mencionou um suposto objetivo que tem de “libertar o país” ao recordar que foi, em suas palavras, “impedida” de concorrer às últimas eleições presidenciais no país, realizadas em julho de 2024.
No evento, o presidente do comitê norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, por sua vez, enviou uma mensagem direta a Maduro, acusando sem provas que o chefe de Estado do país caribenho “deveria aceitar os resultados da eleição e renunciar porque essa é a vontade do povo venezuelano”.
Na abertura da cerimônia, Frydnes havia antecipado que Machado estava “segura” e que “estará aqui conosco em Oslo”. De acordo com o jornal britânico The Guardian, a equipe da venezuelana também divulgou uma mensagem de áudio em que Machado confirma a ida ao evento: “Estou a caminho… Te vejo muito em breve.”
A entrega do prêmio ocorreu no prédio da prefeitura de Oslo, e contou com a presença do rei Harald, da rainha Sonja, e de presidentes da extrema direita de países latino-americanos, incluindo da Argentina, Equador, Panamá e Paraguai – Javier Milei, Daniel Noboa, José Raúl Mulino e Santiago Peña. Além desses nomes, marcou presença o ex-candidato presidencial da Venezuela, Edmundo González, que ocupou o lugar de Machado na eleição do ano passado.
A líder conservadora Maria Corina Machado, de 58 anos, está foragida na Venezuela após tentativas de golpe contra a eleição presidencial que reelegeu Nicolás Maduro em 2024. Caso estivesse no evento, trataria-se de sua primeira aparição pública em 11 meses.
Premiada em outubro, no contexto da ofensiva norte-americana contra o governo Maduro, a deputada cassada em 2014 na Venezuela é uma defensora da intervenção de Washington no país e uma contundente voz ultraliberal e antichavista no país.
Ela participou de várias tentativas de golpe na Venezuela, como o de 2002 contra o então presidente Hugo Chávez; a tentativa de deposição do presidente Nicolás Maduro, em 2019, ao lado do autonomeado presidente, Juan Guaidó; além dos protestos violentos e ações visando deslegitimar as eleições de julho de 2024 na Venezuela.
A premiação, no entanto, mostrou um caráter político, reconhecido pela própria Casa Branca. Corina também reconheceu a nomeação política. Nas redes sociais, a ultraliberal disse que estava “honrada” em receber o prêmio pelos “esforços que está fazendo na Venezuela”.

María Corina Machado, opositora venezuelana não comparece à premiação do Nobel
RS/ Fotos Públicas
Repúdio ao prêmio
Na terça-feira (09/12), dezenas de manifestantes se reuniram na frente do Instituto Nobel em Oslo, contra a entrega do Prêmio da Paz à Machado.
“María Corina Machado não representa a paz. Representa agressão militar, imperialismo e intervencionismo. Essa condecoração é falsa no contexto da expansão das guerras e operações militares ocidentais”, disse um ativista à teleSUR.
A concessão do prêmio gerou um amplo debate dentro do próprio país. Embora na Noruega haja conhecimento sobre o contexto venezuelano e o papel dos movimentos sociais bolivarianos, organizações denunciam que a opinião pública é fortemente influenciada pela propaganda da mídia norte-americana.
De acordo com os manifestantes, Machado não cumpre o testamento original de Alfred Nobel, que exige que a honraria seja entregue àqueles que contribuíram de forma destacada para a fraternidade entre nações, a redução ou abolição dos exércitos permanentes e a promoção dos processos de paz.
O Movimento Norueguês pela Paz, presente no protesto, lembrou que o Prêmio Nobel da Paz se baseia em três pilares inseparáveis: desmilitarização, conferências de paz e cooperação entre nações em conflito. No entanto, porta-vozes lamentaram os “muitos desvios” observados nos mais de cem anos de história da premiação, observando que o comitê em Oslo ignorou “arrogantemente” essas diretrizes.
(*) Com Telesur
























