México busca contornar bloqueio dos EUA para enviar combustível a Cuba
Claudia Sheinbaum disse que alimentos e suprimentos serão enviados imediatamente, enquanto esforços para retomar embarques de petróleo continuam sob ameaça de sanções dos EUA
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, revelou na sexta-feira (06/02) a extensão da ajuda humanitária que seu governo enviará a Cuba, em meio à crescente pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, contra a ilha.
“Conversamos com o embaixador cubano no México (…) e estamos planejando enviar essa ajuda, se não neste fim de semana, no máximo até segunda-feira, e consiste principalmente em alimentos e alguns outros suprimentos que eles solicitaram”, declarou a presidente em uma coletiva de imprensa.
Ela também afirmou que os esforços diplomáticos de seu governo para retomar os embarques de petróleo para Cuba estão em andamento. “Obviamente, não queremos sanções contra o México”, explicou, após relembrar as ameaças de tarifas de Trump contra países que vendem petróleo bruto para a ilha.
“Estamos nesse processo de diálogo e, por enquanto, a ajuda humanitária será enviada”, insistiu, alertando que, se necessário, conversará com o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, embora, por ora, o contato com o governo mexicano seja feito por meio da embaixada da ilha no México.

Com apagões crescentes em Cuba, governo mexicano busca forma de fornecer combustível sem sofrer retaliações de Washington
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Na segunda-feira (02/02), Trump disse a repórteres que o México deixaria de enviar petróleo para Cuba, sem explicar por que acreditava que isso aconteceria. Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores do México afirmou não ter informações sobre o assunto.
Cuba precisa importar combustível para dois terços de suas necessidades energéticas e enfrenta problemas crescentes de apagões e longas filas em postos de gasolina. As remessas de petróleo venezuelano para a ilha cessaram após o bloqueio imposto pelos EUA aos petroleiros venezuelanos em dezembro e o sequestro do presidente Nicolás Maduro no início de janeiro, deixando o México como o maior fornecedor de Cuba.
Em coletiva realizada nesta quinta-feira (05/02), o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reafirmou a disposição do seu governo em dialogar com os Estados Unidos, desde que ocorra “sem pré-condições, sem pressão e com base no respeito mútuo e na igualdade soberana entre os Estados”.
Díaz-Canel também declarou que a ilha socialista possui estratégias para ampliar o uso de suas próprias fontes de energia e reduzir a dependência de importações, em meio ao endurecimento do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos.
Ele enfatizou que a resposta do Estado cubano se baseia em uma estratégia abrangente para a transformação da matriz energética, que inclui: a recuperação da capacidade de geração de eletricidade, o uso de suas próprias fontes, o aumento das capacidades de armazenamento afetadas após o acidente na base de superpetroleiros de Matanzas, o aumento da produção nacional de petróleo bruto, a geração de eletricidade a partir do gás natural associado ao petróleo e o desenvolvimento de sua própria frota de navios.
(*) com RT em espanhol
























