Milhares de argentinos aderem à greve geral contra reforma trabalhista de Milei
Manifetantes se reuniram nas proximidades do Congresso em Buenos Aires durante nova votação do projeto na Câmara dos Deputados
Os arredores do edifício do Congresso Nacional da Argentina foram tomados por uma multidão de manifestantes que se reuniu no centro de Buenos Aires, nesta quinta-feira (19/02), para protestar contra o projeto de reforma trabalhista promovido pelo presidente de extrema direita Javier Milei, que enfrenta uma nova votação na Câmara, após sua aprovação no Senado, há uma semana.
A mobilização foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior central sindical do país, e acontece em meio a uma greve geral organizada pela mesma entidade, e que levou à paralisação de trens, metrôs, ônibus e aviões nas principais cidades, e em várias fábricas e escritórios em todo o território argentino.
Segundo o líder sindical Jorge Sola, um dos três membros do triunvirato que comanda a CGT, “as pessoas perceberam que a reforma de Milei não vai criar novos empregos, como foi prometido”.
“Este projeto tem três eixos, e todos eles atacam os trabalhadores: corta direitos individuais, debilita os direitos coletivos dos sindicatos e gera transferência de renda dos trabalhadores aos empresários”, acrescentou, em coletiva para meios locais.
Segundo o periódico online El Destape, a manifestação em Buenos Aires já conta com milhares de pessoas, e as forças de segurança estariam preparando um forte operativo de repressão para evitar uma maior aglomeração ao redor do Congresso durante a votação do projeto.
Além disso, há manifestações simultâneas em outras províncias do país, como Córdoba, Santa Fé, Corrientes, Chaco e Santa Cruz.

Com jatos d’água, polícia tenta dissuadir manifestantes que protestam em frente ao Congresso contra reforma trabalhista de Milei
Alejandra Morasa / Página/12
Alteração no texto
A sessão na Câmara que avalia o projeto teve início por volta das 15h25, e o resultado da votação poderia sair na noite desta quinta, ou durante a madrugada.
Segundo o diário Página/12, o governo considera que já possui os votos suficientes para aprovar o projeto, graças a uma modificação no parágrafo que prevê o pagamento de 75% ou 50% dos salários (dependendo do caso) a trabalhadores que estejam com licença médica.
A mudança defende o pagamento de salário integral a trabalhadores com licença para trabalhadores com doença terminal comprovada, mas mantém o pagamento com desconto a todos os demais casos.
Outros parágrafos da reforma, que falam sobre reduzir as indenizações por demissão, permitir pagamentos não em dinheiro mas em forma de bens ou serviços, ou estender a jornada diária de trabalho para até 12 horas, foram mantidos de acordo com o aprovado há uma semana pelo Senado argentino.
Com informações de El Destape e Página/12.























