Morte de crianças cubanas devido ao bloqueio dos EUA ‘é inaceitável’, diz ONU
Alto Comissário das Nações Unidas, Volker Türk, exige 'suspensão imediata' de sanções contra ilha
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, denunciou na segunda-feira (08/06), em Genebra, na Suíça, que as medidas coercitivas unilaterais dos Estados Unidos contra Cuba estão causando a morte de crianças devido à falta de suprimentos médicos básicos.
O impacto desse bloqueio sobre as crianças é devastador. Dados oficiais de saúde pública mostram que a mortalidade infantil dobrou, chegando a 9,9 por 1.000 nascimentos, enquanto as taxas de sobrevivência ao câncer infantil caíram de 85% para 65%.
“A expansão das sanções dos EUA contra Cuba prejudica a população e coloca vidas em risco. É inaceitável que crianças estejam morrendo por falta de suprimentos médicos essenciais. Essas sanções devem ser suspensas imediatamente”, declarou Türk em suas redes sociais.
A pressão financeira mantém o fornecimento de medicamentos básicos em um nível crítico de 30%, enquanto a aversão ao risco por parte das empresas privadas paralisou a distribuição de 2.900 toneladas métricas de alimentos humanitários gerenciados pela ONU para populações vulneráveis.
Queda da produção agrícola
A escassez de combustível causada pelo embargo dos EUA reduziu a produção agrícola nacional em 60%, elevando os preços dos produtos básicos, enquanto o medo de sanções da Casa Branca mantém a ilha desconectada dos sistemas de pagamento internacionais.
“Cuba enfrenta um isolamento crescente. Empresas estão deixando o país. Cada vez menos companhias aéreas voam para lá. O país está praticamente desconectado dos sistemas de pagamento internacionais”, alertou Türk.
O aumento das temperaturas no verão eleva o risco de propagação de doenças transmitidas por vetores e pela água. A temporada de furacões aumenta ainda mais a exposição. Isso cria a tempestade perfeita para a deterioração social e econômica e para o sofrimento do povo cubano”, destacou o Alto Comissário da ONU.

Morte de crianças cubanas devido ao bloqueio dos EUA ‘é inaceitável’, diz ONU
Chancelaria de Cuba
Türk reiterou ainda que as empresas privadas devem respeitar os direitos humanos globais. Nesse sentido, instou o setor empresarial a evitar o cumprimento excessivo das sanções dos EUA e o rompimento indiscriminado de laços comerciais, em conformidade com as diretrizes da ONU para empresas.
Bloqueio energético
A atual crise energética teve início após a ordem executiva assinada em 29 de janeiro de 2016 pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que interrompeu o fornecimento de combustível, causando apagões de mais de 20 horas em todo o Caribe.
Essa agressão foi agravada por medidas punitivas em maio de 2026 contra seguradoras, empresas de transporte marítimo e entidades financeiras internacionais que bloqueiam diretamente a aquisição de suprimentos de energia, saúde e alimentos para a população civil.
O governo cubano rejeitou categoricamente as acusações de Washington e denunciou a ordem executiva de Donald Trump como uma medida fascista, criminosa e genocida.
O diplomata das Nações Unidas concluiu que essas medidas coercitivas são incompatíveis com o direito internacional.
























