Na ONU, Petro critica ‘políticas nazistas’, bloqueios e subordinação da América Latina aos EUA
Sob presidência pro tempore do Conselho de Segurança, líder colombiano defendeu que democracia global 'apenas pode ser feita aceitando diversidade das civilizações'
Em sua terceira visita aos Estados Unidos neste ano, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, desembarcou na cidade de Nova York na quarta-feira (10/06) para assumir a Presidência pro tempore do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).
No evento voltado especialmente ao tema sobre a busca por soluções de paz no Oriente Médio, respeito ao direito e à paz internacionais, o mandatário sul-americano questionou o uso de bloqueios econômicos dos Estados Unidos como mecanismos de pressão contra países e defendeu um plano internacional para impedir, sem exceções, a retirada total de armas nucleares.
“Não se trata de eliminá-los de um país e preservá-los em outro, mas de remover uma grande extorsão feita com dinheiro com armas nucleares, mísseis, bloqueios em qualquer país, em qualquer lugar do mundo”, disse Petro, conforme o comunicado divulgado pelo governo colombiano.
Em sua exposição, o mandatário colomibiano não apenas citou os bloqueios enfrentados por nações do Oriente Médio como o Irã, o Catar, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, como também da América Latina, mencionando Venezuela e Cuba. Desta forma, exigiu a retirada de tais medidas por parte dos Estados Unidos.
No encerramento da sessão “Explorando Novos Caminhos para o Diálogo entre Civilizações e Escrevendo Conjuntamente Novos Capítulos para a Governança Global”, o chefe de Estado propôs “um diálogo limpo, sincero, racional e não calculado entre civilizações e em meio a diferenças” como o único caminho global para a paz.
Segundo ele, o mundo enfrenta atualmente “uma força irracional, e isso é chamado nazista”, no tempo em que o diálogo deve servir “pela vida e liberdade, para alcançar acordos”.
“A ideia de construir uma democracia global, que só pode ser feita aceitando a diversidade das civilizações, baseia-se na evidente agenda de acabar com as diferenças culturais entre os Estados Unidos e a América Latina, com base na subordinação da América Latina. E isso não é uma democracia”, concluiu o chefe de Estado colombiano.

Presidente colombiano Gustavo Petro preside temporariamente Conselho de Segurança da ONU, em Nova York
Juan Diego Cano/Presidencia de Colombia
Políticas anti-imigração
Em seu discurso na ONU, o presidente alertou sobre o avanço, em escala global, de correntes ideológicas que promovem a exclusão e a estigmatização das imigrantes em busca de oportunidades. Petro classificou a ideologia anti-imigração como “nazista” e alertou para os cidadãos que apoiam tais políticas para não se deixarem “enganar”.
O chefe de Estado da Colômbia enfatizou a importância do diálogo para alcançar acordos relacionados ao tratamento dos migrantes, ao fazer uma referência às recentes deportações de cidadãos colombianos dos Estados Unidos.
“Eu não queria que levassem os migrantes colombianos acorrentados”, criticou, acrescentando que seu governo pagou pelos voos para garantir dignidade dos civis. “É dialogando que os problemas são resolvidos”.
“O discurso anti-imigração hoje é muito mais poderoso e é bem recebido pela maioria dos eleitores em muitos países, porque se expande por meio da inteligência artificial, ou seja, da manipulação da consciência humana por alguns poucos indivíduos”, explicou, ao defender a regulamentação global da inteligência artificial. “As Nações Unidas são a prova de que o que queremos aqui é uma civilização, que podemos nos encontrar em diálogo entre diferentes civilizações. A inteligência artificial não pode ser gerenciada por cinco interesses de indivíduos privados, sejam eles chamados de norte-americanos, chineses ou de qualquer nacionalidade”.
Regulamentação da inteligência artificial
Petro convocou os países do mundo a alcançarem um tratado internacional para a regulamentação pública e democrática da inteligência artificial, uma vez que a falta de controle sobre a tecnologia pode agravar os cenários de desigualdade, manipulação social e conflitos globais. Enfatizou que o poder tecnológico não deveria ficar concentrado por entidades com interesses privados.
“Hoje a inteligência artificial é um oligopólio privado, e gerou competição entre os Estados Unidos e a China”, disse o presidente. “É o início de uma nova desigualdade social dentro da humanidade econômica. A Colômbia não é permitida, já provei isso no meu governo: forças sabotando uma infraestrutura de inteligência artificial no meu próprio país por quatro anos”.























