Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O empresário Nasry Asfura foi proclamado oficialmente presidente eleito de Honduras pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) na noite desta quarta-feira (24/12), em meio a série de acusações de fraude eleitoral e interferência estrangeira no pleito ocorrido em 31 de novembro.

Apoiado publicamente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Asfura venceu o apresentador de TV Salvador Nasralla, do Partido Liberal, por uma margem inferior a um ponto percentual, com 40,1% dos votos contra 39,53%. A candidata governista Rixi Moncada, segundo a CNE, obteve 19,19% dos votos.

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Moncada e Nasralla pediram a recontagem voto a voto, o que foi negado pelo órgão eleitoral. Após a proclamação do resultado, Asfura publicou uma mensagem na plataforma X: “Honduras: estou preparado para governar. Não vou te decepcionar”, afirmou, ao agradecer o trabalho dos membros do CNE.

Os Estados Unidos saudaram imediatamente o anúncio. “Esperamos trabalhar com seu futuro governo para avançar em nossa cooperação bilateral e regional em matéria de segurança, acabar com a imigração ilegal para os Estados Unidos e fortalecer os laços econômicos entre os nossos dois países”, escreveu, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

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Nasry Asfura é proclamado presidente de Honduras em meio às denúncias de fraude eleitoral
@titoasfura / X

A presidente de Honduras, Xiomara Castro, publicou uma mensagem afirmando que cumprirá o seu mandato até o fim constitucional. “Reitero que permanecerei nesta posição como Presidente da República, conforme previsto na Constituição, até 27 de janeiro de 2026, nem um dia a mais, nem um dia a menos”, declarou.

Em tom crítico à ingerência norte-americana no pleito – o presidente Donald Trump chegou a ameaçar não investir mais no país caso a esquerda vencesse –, Castro afirmou nas redes sociais: “que nunca percamos a fé em nós mesmos, porque estou convencida de que, enquanto um de nossos compatriotas continuar a engraxar as botas de estrangeiros e a considerar as remessas como um presente do império, nunca seremos independentes.”

Ela agradeceu ao povo hondurenho “que me honrou com seu voto e seu apoio, pela honra de ter servido ao meu país com dignidade.”

Acusações de fraude

Rixi Moncada afirmou que a proclamação do resultado é um atentado à democracia. Em publicação no X, ela disse que o CNE, sob ordens de Washington, “assassinou a nascente democracia do país centro-americano”.

“Os povos civilizados do mundo precisam saber que o presidente eleito é um dos empresários que solicitaram a intervenção de Donald Trump. Durante o período de silêncio eleitoral, eles financiaram mensagens ameaçadoras em massa contra eleitores que recebem remessas, com a única intenção de distorcer a vontade popular”, denunciou.

Ela também afirmou que “o sistema bipartidário deixou vestígios de seu plano criminoso e fraudulento em 26 gravações de áudio”; e alertou: “o plano foi executado hoje, mas acredito que a verdade é imutável e eterna.”

O ex-chanceler Enrique Reina também se pronunciou: “é assim que Honduras acorda, com um golpe eleitoral em curso e um CNE composto por dois membros ilegais caminhando para declarar um presidente eleito de fato”.

Segundo ele, as magistradas Ana Paola Hall García (Partido Liberal) e Cossette Alejandra López Osorio (Partido Nacional) rejeitaram a revisão de “cerca de 10.000 registros com inconsistências”, viabilizando a proclamação de Asfura sem concluir o escrutínio.

Para o conselheiro do CNE, Marlon Ochoa, Honduras vive “a mais vulgar e flagrante interferência estrangeira da história do país”. Ele afirmou que a decisão foi tomada “sem a conclusão da análise especial e sem a resolução das aproximadamente 288 contestações apresentadas”, citando as 10 mil folhas da apuração com inconsistências.

Ele apresentou queixa formal ao Ministério Público e afirmou ter entregue “10 novas gravações de áudio que comprovam a fraude eleitoral orquestrada pelo sistema bipartidário”, envolvendo “um ex-presidente, um ex-candidato à presidência pelo Partido Liberal, um assessor presidencial estrangeiro, o argentino Fernando Cerimedo e outras vozes não identificadas.”

“É um crime declarar um presidente com centenas de cédulas ainda não processadas e com evidências de inconsistências”, afirmou.