Quinta-feira, 2 de abril de 2026
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A Organização das Nações Unidas (ONU), em coordenação com o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), apresentou um Plano de Ação Ampliado destinado a mitigar os efeitos da profunda asfixia energética que Cuba enfrenta, na quarta-feira (25/03), em Havana.

A iniciativa inclui o fornecimento de combustível e busca atender necessidades urgentes e manter serviços essenciais para aproximadamente dois milhões de pessoas distribuídas em oito províncias do país.

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O plano prevê um investimento de US$ 94,1 milhões e tem como principal objetivo sustentar o funcionamento de serviços básicos para a população mais vulnerável.

Durante a apresentação, o coordenador residente do Sistema da ONU em Cuba, Francisco Pichón, destacou que a disponibilidade de combustível é um fator crítico para a viabilidade do plano. Ele lembrou que, desde o fim de fevereiro, a ONU vem solicitando uma exceção humanitária que permita a chegada de combustível à ilha.

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“Estamos trabalhando com parceiros e Estados-membros para identificar todas as soluções possíveis. Precisamos mobilizar suprimentos para as províncias afetadas, garantir as operações de transporte, assegurar o abastecimento de água potável às pessoas necessitadas e continuar as visitas de campo para acompanhar nossas operações”, afirmou Pichón.

Desde 29 de janeiro, Washington vem endurecendo o bloqueio unilateral que mantém contra Cuba, ameaçando sancionar qualquer país que “venda ou forneça petróleo” à ilha. Desde então, a escassez de combustível e energia tem agravado a situação econômica e social do país caribenho.

Especialistas e relatores de direitos humanos da ONU classificaram a imposição do “bloqueio de combustível a Cuba” como “uma grave violação do direito internacional e uma séria ameaça a uma ordem internacional democrática e justa”.

Também apontaram que se trata de “uma forma extrema de coerção econômica unilateral, com efeitos extraterritoriais, por meio da qual os Estados Unidos buscam exercer pressão sobre o Estado soberano de Cuba e obrigar outros países a modificarem suas relações comerciais legítimas sob a ameaça de medidas punitivas”.

Entre os setores mais afetados está o sistema de saúde, no qual as autoridades relatam cerca de 100 mil cirurgias adiadas, atrasos nos programas de vacinação e dificuldades no acesso a medicamentos para doenças crônicas.

Diante dessa grave situação, na quarta-feira (25/03), o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nas redes sociais que, apesar dos esforços do país para atender sua população, a situação sanitária em Cuba é “profundamente preocupante, enquanto o país se esforça para manter a prestação de serviços de saúde em um momento de imensa turbulência”.

Apresentação do projeto da ONU em Havana
ONU

“A saúde deve ser protegida a qualquer custo e nunca ficar à mercê da geopolítica, dos bloqueios energéticos e dos cortes de eletricidade”, declarou, ressaltando que a escassez de energia “tem afetado a saúde”.

O Plano de Ação Ampliado apresentado pela ONU busca conter os efeitos mais críticos da crise por meio de doações destinadas aos setores mais vulneráveis da população.

Trata-se de um plano que busca ampliar a resposta aos danos causados pelo furacão Melissa, que atingiu Cuba em outubro do ano passado, de modo a incluir o impacto dos efeitos humanitários provocados pela asfixia energética. No entanto, a escassez de combustível dificulta a entrega dos suprimentos nos territórios.

“Se a situação atual continuar e as reservas de combustível do país se esgotarem, tememos uma rápida deterioração, com possível perda de vidas”, afirmou Pichón, reforçando que “a viabilidade e a implementação deste plano de ação dependem, obviamente, de soluções na área de combustível”.