ONU aprova convocar assembleia sobre agressão dos EUA a Cuba com 136 votos favoráveis
Presidente cubano disse que votação mostra 'senso de justiça e coragem' contra 'pressões' de Washington; Rússia e China denunciaram bloqueio e pediram fim de sanções
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, nesta terça-feira (07/07), a realização do debate urgente solicitado por Cuba sobre as ações agressivas dos Estados Unidos contra a ilha. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel agradeceu as 136 nações que votaram a favor — enquanto nove votaram contra, sendo EUA, Argentina, Costa Rica, Tchéquia, Israel, Marrocos, Macedônia do Norte, Ucrânia e Paraguai, e 30 se abstiveram.
“Cada voto mostra senso de justiça e coragem, ao sobrepujar fortes pressões desde dias anteriores, e às descaradas mentiras do delegado dos EUA para sabotá-lo”, escreveu no X.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, também rejeitou a narrativa de Washington de que Cuba representa uma ameaça à segurança dos EUA e afirmou que não há evidências de que a ilha constitua um risco para aquele país.
“Não há nenhuma declaração do governo cubano, nenhuma evidência, nem mesmo o menor indício de que Cuba tenha a intenção de ameaçar os Estados Unidos”, disse ele , acrescentando que “Cuba não é uma ameaça. O bloqueio é”.
En nombre del pueblo de #Cuba, agradezco a las 136 naciones del mundo que votaron en favor de llevar a debate de la Asamblea General de la ONU el #BloqueoGenocida contra toda una nación, y las amenazas de agresión militar.
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— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) July 7, 2026
Ainda, durante a Assembleia, a representante do Uruguai, em nome do Grupo dos 77 e da China, expressou sua preocupação com a intensificação do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba, e afirmou que essas medidas constituem um obstáculo à normalização das relações entre os dois países.
O Grupo dos 77 e a China também pediram a remoção de Havana da lista unilateral dos Estados Unidos de países patrocinadores do terrorismo.
Por sua vez, os representantes da União Europeia e dos seus Estados-Membros reconheceram o impacto humanitário negativo que certas medidas têm sobre o povo cubano e afirmaram que a Carta das Nações Unidas deve continuar a ser o quadro orientador da ação internacional.
A UE observou que, num contexto em que os cubanos enfrentam condições cada vez mais difíceis, os princípios e mandatos da organização internacional devem ser protegidos.
Rússia e China denunciam bloqueio
A China enfatizou que o fato de 136 estados terem votado a favor da realização deste debate demonstra claramente o apelo da comunidade internacional por justiça.

As Nações Unidas (ONU) realizaram um debate adicional sobre a ‘necessidade de pôr fim ao embargo comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba’, com 136 votos a favor, 9 contra e 30 abstenções
Dessa forma, Pequim instou Washington a pôr fim imediatamente ao bloqueio e a todas as formas de coerção e pressão contra Havana, e a parar de violar o direito à vida e ao desenvolvimento do povo cubano, bem como de contrariar o consenso internacional, a história e a consciência da humanidade.
O enviado permanente da Rússia nas Nações Unidas declarou que as dificuldades enfrentadas por Cuba, particularmente em relação à energia e ao acesso a suprimentos essenciais, estão ligadas ao impacto do embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos.
“Para nós, a eletricidade é uma necessidade básica. Agora imagine um dia típico em Cuba: você acorda sem luz, sem água, porque as bombas pararam; a comida na geladeira estragou, o transporte público está paralisado e o hospital mais próximo está funcionando com geradores de emergência”, disse ele.
O representante russo argumentou que o fornecimento de combustível a Cuba deixou de ser uma questão puramente comercial e se tornou uma questão humanitária, devido às restrições que, segundo ele, dificultam a chegada de recursos energéticos à ilha.
Ele também rejeitou medidas coercitivas unilaterais e afirmou que o embargo dos EUA constitui uma política de pressão contra um Estado soberano, contrária aos princípios da Carta das Nações Unidas.
(*) com informações de Cubadebate
























