Oposição argentina marca visita ao Brasil para reatar diálogo após ataques de Milei
'Política externa não pode depender das afinidades pessoais de seu presidente', afirma deputado Nicolás Massot, que lidera iniciativa
Uma comitiva de parlamentares argentinos de oposição ao governo Javier Milei desembarcará em Brasília, na próxima segunda-feira (31/08), para retomar o diálogo e abrir um canal de diplomacia parlamentar com o Brasil. A informação é do UOL, que conversou com o deputado Nicolás Massot (Encuentro Federal), membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados da Argentina.
Massot, que lidera a iniciativa, afirmou à reportagem que a visita tem por objetivo demonstrar que partidos e parlamentares que representam 60% das bancadas do Parlamento argentino não respaldam os ataques verbais proferidos pelo mandatário do país vizinho, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu governo.
Os parlamentares serão recebidos pelo senador Nelsinho Trad (PSD), que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e também realização reuniões no Itamaraty. Ao UOL, Massot informou que o chanceler argentino Pablo Quirno foi informado sobre a viagem.
A missão é a primeira iniciativa parlamentar após Milei ter chamado o presidente Lula de “presidiário”, durante a convenção do Partido Liberal, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Durante o evento, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, também foi atacado.
Milei continuou com seus ataques verbais após o evento. A diplomacia brasileira reagiu e, logo depois, o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, retornou à Brasília por tempo indeterminado.

Javier Milei durante a convenção do PL em São Paulo
Reproducao video /@FlavioBolsonaro X
‘Política externa não pode depender de afinidades pessoais’
Massot se pronunciou nas redes sociais sobre a atitude de Milei. “A política externa de um país não pode depender das afinidades pessoais de seu presidente. A última crise diplomática com o Brasil é um claro exemplo: as diferenças ideológicas nunca podem se sobrepor aos interesses da Argentina”, postou, em 18 de agosto.
Dias antes, ele havia afirmado que “a relação com o Brasil não é uma disputa de egos: é emprego, indústria e desenvolvimento para a Argentina”, alertando que “enquanto o governo se dedica à briga midiática, o Brasil nos supera em todos os indicadores econômicos chaves”.
Nessa postagem, ele também informou que “para passar da crítica à ação”, os parlamentares argentinos iriam elaborar um projeto no Congresso para proteger o vínculo bilateral com o Brasil, além de convocar o chanceler [argentino] para prestar contas. “A Argentina precisa de uma diplomacia séria que proteja o trabalho argentino, não de brigas que nos isolem do mundo”, diz o texto.
Este projeto, informou ao UOL, será anunciado nesta quarta-feira (26/08) no Congresso argentino. Segundo o parlamentar, o texto expressa o “mais enérgico repúdio às manifestações ofensivas proferidas pelo senhor presidente da Nação Argentina contra o presidente da República Federativa do Brasil”.
Ele também afirmou à reportagem, que as declarações ofensivas “não podem ser atribuídas ao povo argentino nem expressam a pluralidade política, democrática e federal representada na Câmara dos Deputados e no Senado da Nação”.






















