Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Uma comitiva de parlamentares argentinos de oposição ao governo Javier Milei desembarcará em Brasília, na próxima segunda-feira (31/08), para retomar o diálogo e abrir um canal de diplomacia parlamentar com o Brasil. A informação é do UOL, que conversou com o deputado Nicolás Massot (Encuentro Federal), membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados da Argentina.

Massot, que lidera a iniciativa, afirmou à reportagem que a visita tem por objetivo demonstrar que partidos e parlamentares que representam 60% das bancadas do Parlamento argentino não respaldam os ataques verbais proferidos pelo mandatário do país vizinho, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu governo.

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Os parlamentares serão recebidos pelo senador Nelsinho Trad (PSD), que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e também realização reuniões no Itamaraty. Ao UOL, Massot informou que o chanceler argentino Pablo Quirno foi informado sobre a viagem.

A missão é a primeira iniciativa parlamentar após Milei ter chamado o presidente Lula de “presidiário”, durante a convenção do Partido Liberal, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Durante o evento, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, também foi atacado.

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Milei continuou com seus ataques verbais após o evento. A diplomacia brasileira reagiu e, logo depois, o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, retornou à Brasília por tempo indeterminado.

Javier Milei durante a convenção do PL em São Paulo
Reproducao video /@FlavioBolsonaro X

‘Política externa não pode depender de afinidades pessoais’

Massot se pronunciou nas redes sociais sobre a atitude de Milei. “A política externa de um país não pode depender das afinidades pessoais de seu presidente. A última crise diplomática com o Brasil é um claro exemplo: as diferenças ideológicas nunca podem se sobrepor aos interesses da Argentina”, postou, em 18 de agosto.

Dias antes, ele havia afirmado que “a relação com o Brasil não é uma disputa de egos: é emprego, indústria e desenvolvimento para a Argentina”, alertando que “enquanto o governo se dedica à briga midiática, o Brasil nos supera em todos os indicadores econômicos chaves”.

Nessa postagem, ele também informou que “para passar da crítica à ação”, os parlamentares argentinos iriam elaborar um projeto no Congresso para proteger o vínculo bilateral com o Brasil, além de convocar o chanceler [argentino] para prestar contas. “A Argentina precisa de uma diplomacia séria que proteja o trabalho argentino, não de brigas que nos isolem do mundo”, diz o texto.

Este projeto, informou ao UOL, será anunciado nesta quarta-feira (26/08) no Congresso argentino. Segundo o parlamentar, o texto expressa o “mais enérgico repúdio às manifestações ofensivas proferidas pelo senhor presidente da Nação Argentina contra o presidente da República Federativa do Brasil”.

Ele também afirmou à reportagem, que as declarações ofensivas “não podem ser atribuídas ao povo argentino nem expressam a pluralidade política, democrática e federal representada na Câmara dos Deputados e no Senado da Nação”.