Oposição exige expulsão de soldados israelenses na Colômbia após terremoto que matou 289
Legisladores rejeitam relações retomadas por Abelardo de la Espriella com 'governo que normaliza extermínio', acusando Netanyahu de 'vir brincar de política com dor da tragédia'
Diversos setores políticos da oposição na Colômbia rechaçam a presença de 82 soldados israelenses no território nacional após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a região oeste do país na semana anterior, exigindo a saída imediata do contingente.
Em publicação na segunda-feira (17/08), o legislador Santiago Osorio exigiu que o presidente recém-eleito Abelardo de la Espriella retirasse as tropas, manifestando oposição às relações recentemente reatadas entre sua nação e o Estado de Israel.
“Enquanto estão em nosso território, o Ministro da Segurança Nacional daquele país, Ben Gvir, pediu abertamente para matar entre 30 e 40 pessoas todas as noites em Gaza. Com um governo que normaliza o extermínio e o executa, a Colômbia não pode ter nenhum tipo de relação, nem mesmo humanitária”, escreveu o representante na plataforma X.
El país entero debe exigirle al presidente Abelardo el retiro inmediato de la delegación de 82 soldados israelíes que llegó a Colombia. Mientras están en nuestro territorio el ministro de Seguridad Nacional de ese país, Ben Gvir, pidió abiertamente matar entre 30 y 40 personas… pic.twitter.com/NuCuraNZTR
— Santiago Osorio M. (@osoriosantiago) August 17, 2026
Além disso, enfatizou que a nação da Nova Granada “não pode receber com honras representantes de um Estado cujo governo fala dos seres humanos como uma cota de mortes por noite”.
Por sua vez, o ex-vereador de Bogotá, Carlos Carrillo, denunciou que o porta-voz do Exército sionista Roni Kaplan “viajou repetidas vezes pela mídia da América Latina defendendo o genocídio em Gaza, a islamofobia e posicionando a história falaciosa de uma relação direta entre a esquerda e o terrorismo”.
Carrillo sustentou que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e a extrema direita daquele Estado “não vêm hoje à Colômbia para ajudar, vêm para brincar de política com a dor da tragédia”.
Roni Kaplan @CapitanKaplan, es un psicópata. El que presentan hoy como rescatista, ha recorrido una y otra vez los medios de América Latina defendiendo el genocidio en Gaza, la islamofobia, y posicionando el relato falaz de una relación directa entre las izquierdas y los… pic.twitter.com/Ujr2dcfvsA
— Carlos Carrillo (@CarlosCarrilloA) August 17, 2026
A deputada María Fernanda Carrascal revelou que cidadãos de Pereira e Cali, regiões atingidas pelo terremoto, relatam que voluntários e comunidades foram completamente relegados, que estão usando máquinas pesadas indiscriminadamente e que dão ordens à polícia local. “Já sabemos para quem as empresas vêm após cada catástrofe, natural ou induzida”, alertou em suas redes sociais.
Desde ayer estoy recibiendo denuncias desde Pereira y Cali sobre el accionar de la israelíes. Los voluntarios y comunidades han sido relegados completamente, están usando maquinaria pesada indiscriminadamente, le dan órdenes a la policía.
Están cometiendo un error incalculable…
— Mafe Carrascal Rojas (@MafeCarrascal) August 16, 2026
No último fim de semana, o presidente De la Espriella informou ter conversado com Netanyahu. “Agradeci profundamente a ele por toda a ajuda humanitária e pelos socorristas que Israel enviou à Colômbia nestes tempos difíceis”, disse, em meio à dúvida do povo sobre a verdadeira contribuição dada pela brigada.
O líder da oposição no Senado e ex-candidato presidencial, Iván Cepeda, reagiu à declaração do mandatário, destacando ser “vergonhoso que a relação com um genocida gere orgulho e gratidão”.
“Isso não nos representa nem como nação nem como povo. Deixe o Sr. De la Espriella falar em seu próprio nome”, escreveu na rede social X.
Es vergonzoso que la relación con un genocida genere orgullo y gratitud. Eso no nos representa ni como nación ni como pueblo. Que hable en nombre propio el señor De la Espriella. https://t.co/Nv1eNLaTod
— Iván Cepeda Castro (@IvanCepedaCast) August 15, 2026
A entrada desse contingente militar vindo de Israel configura um ato irregular que viola a soberania da Colômbia, já que os soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) ingressaram no país sem permissão do Senado.
Na semana passada, o diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres (UNGRD), David Tamayo, confirmou a controversa decisão do governo colombiano de restringir a entrada de ajuda humanitária, aceitando apenas equipes de resgate de países aliados de extrema direita, como Estados Unidos, Israel, El Salvador e Equador. O México chegou a oferecer ajuda, mas o Estado barrou sob o argumento de exigir certificação INSARAG e autonomia financeira para evitar despesas ao Estado.
A postura seletiva ocorre enquanto comunidades e várias organizações sociais denunciam a resposta insuficiente do governo colombiano nas áreas mais vulneráveis e remotas, onde as pessoas tiveram que se organizar por conta própria para remover toneladas de escombros em busca de sobreviventes. Até o momento, 289 vítimas foram registradas mortas, enquanto 4.187 feridas e 143 desaparecidas
(*) Com Telesur






















