Segunda-feira, 8 de junho de 2026
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As organizações agrupadas na Central Operária Boliviana (COB), juntamente com movimentos sociais e camponeses, continuaram seus protestos e bloqueios em diferentes regiões da Bolívia na segunda-feira (01/06) contra as medidas neoliberais do governo Rodrigo Paz, após rejeitarem unanimemente o apelo do Executivo ao diálogo no dia anterior, durante uma reunião nacional ampliada.

Em apoio à medida, uma marcha maciça de trabalhadores percorreu 25 quilômetros da cidade de El Alto até as proximidades da Plaza Murillo, sede dos poderes públicos em La Paz, para exigir a renúncia de Paz e expressar sua rejeição à tentativa de restaurar o Estado neocolonial.

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Organizações operárias denunciam uma campanha de perseguição judicial, evidenciada pelo mandado de prisão em aberto contra seu principal líder, Mario Argollo, que o Judiciário se recusou a suspender.

Por esse motivo, organizações populares mantêm 80 bloqueios de estradas em seis dos nove departamentos do país, com a maior concentração em Cochabamba, onde existem 32 bloqueios, e 19 em La Paz, de acordo com dados da Administração Rodoviária Boliviana.

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A paralisação do transporte terrestre causou grave escassez de alimentos e aumento de preços em La Paz e El Alto. Da mesma forma, a falta de gasolina por seis dias consecutivos provocou protestos de centenas de motoristas que esperavam em filas há até quatro dias, bloqueando o trânsito de forma independente para exigir o fornecimento imediato de combustível.

A tensão social, que já dura mais de 30 dias, intensificou-se depois que a Assembleia Legislativa, controlada pela direita (93%), anulou a lei que limitava a declaração de estado de emergência. Essa medida deu carta branca ao Poder Executivo para mobilizar as Forças Armadas na repressão aos protestos sociais, apesar da resistência da Central Sindical Boliviana e de outros sindicatos, organizações e movimentos sociais mobilizados.

Diálogo interrompido e a defesa do governo

Os esforços de mediação empreendidos em conjunto pela Igreja Católica, a Vice-Presidência do Estado e o Provedor de Justiça estão paralisados.

O Gabinete do Provedor de Justiça emitiu um alerta afirmando que a linguagem confrontativa, as ameaças e os insultos utilizados por vários porta-vozes do governo estão a minar qualquer possibilidade de reaproximação com a liderança sindical e dos transportes.

Enquanto as principais cidades do país sofrem com grave escassez de alimentos, combustível e suprimentos médicos essenciais em centros de saúde pública, o governo de Rodrigo Paz defendeu a validade de suas medidas impopulares.

O Poder Executivo declarou que os mecanismos de exceção constitucional constituem o último recurso democrático para preservar a ordem interna, argumentando que as mesas de negociação com os setores em conflito estão completamente esgotadas devido à intransigência das reivindicações políticas dos manifestantes.