Quarta-feira, 13 de maio de 2026
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A extrema direita chilena foi sacudida nesta quinta-feira (09/04) por reportagens publicadas em diferentes meios de comunicação nas quais a senadora de extrema direita Camila Flores é acusada de se apropriar de dois terços dos salários de alguns dos seus assessores.

A informação teria surgido de fontes anônimas, supostamente os próprios assessores ou figuras próximas a estes, que denunciaram o esquema em diferentes veículos, como o site El Ciudadano e o Canal 13 de televisão.

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Segundo o El Ciudadano, uma das fontes teria afirmado que assessores que recebiam salário de 2,4 milhões de pesos chilenos (cerca de R$ 15 mil) tinham que entregar 1,8 milhões (R$ 10 mil) a Flores em dinheiro vivo, “para seu uso pessoal” – na denúncia, os informantes se referiam à cobrança como a “cota Flores”.

Também segundo essa fonte, a prática funciona dentro do gabinete da parlamentar há anos, e foi realizada principalmente durante seu período como deputada.

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Flores foi eleita senadora pela região de Valparaíso em novembro de 2025, e assumiu o cargo em março passado. Antes disso, foi deputada pela mesma região durante dois mandatos, exercidos entre março de 2018 e março de 2026.

Apesar de ser filiada ao partido Renovação Nacional, considerado como representante da direita tradicional chilena, Flores é vista como uma das mais extremistas dentro da legenda, devido às suas costumeiras declarações em apologia à ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) e de negação às violações aos direitos humanos no mesmo período.

Também é vista como a figura, dentro do seu partido, mais alinhada ideologicamente com o atual presidente do Chile, José Antonio Kast, que é líder do ultraconservador Partido Republicano do Chile.

Flores também é uma fã assumida do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (2019-2023) e chegou a dizer, em uma entrevista de 2018, que “Bolsonaro provavelmente pensa como eu e como muitos chilenos que somos gratos aos governos militares”.

Simulitudes com esquema de ‘rachadinha’

O comentário de Camila Flores sobre “pensar como Bolsonaro” pode ganhar uma nova dimensão com a denúncia recente contra ela.

O esquema revelado no Chile sobre a senadora de extrema direita é semelhante ao caso atribuído ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) e ao senador e pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria funcionado durante anos, baseado no desvio de parte dos salários dos seus assessores.

A senadora chilena Camila Flores
El Ciudadano

Segundo o livro O Negócio do Jair, da jornalista Juliana dal Piva, o esquema conhecido como “rachadinha” teria surgido durante o mandato de Jair Bolsonaro como deputado federal pelo Rio de Janeiro, e era operado pelo seu amigo pessoal Fabrício Queiróz, que manejava os valores em dinheiro vivo – característica que se repete no caso chileno recentemente desvendado.

Também segundo o livro de Dal Piva, o esquema se reproduziu, anos depois, no gabinete de Flávio Bolsonaro quando este era deputado estadual da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), entre 2003 e 2019, e também era operado por Fabrício Queiróz.

Outra semelhança visível do caso atribuído aos Bolsonaro e o denunciado recentemente no Chile é a participação de um intermediário como operador do esquema.

De acordo com os denunciantes anônimos, quem cobrava a chamada “cota Flores” e entregava à parlamentar de extrema direita era Yolanda Olfos, secretaria secretária pessoal da atual senadora por Valparaíso.

Com informações de El Ciudadano, Canal 13, El Dínamo.