Sábado, 11 de abril de 2026
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Cuba continua a enfrentar uma grave escassez de petróleo. O embargo dos Estados Unidos, em vigor há seis décadas, foi reforçado em janeiro com a imposição de um bloqueio petrolífero. Diante desse cenário, a Organização das Nações Unidas (ONU), que não dispõe de insumos energéticos suficientes para distribuir ajuda humanitária no país, está e preparando para importar combustível para Cuba pela primeira vez.

Apesar da recente chegada de quantidades limitadas de combustível, incluindo um carregamento de petróleo enviado pela Rússia, autorizado pelos Estados Unidos na semana passada, não alterou a situação. Devido à falta de combustível, uma parte significativa da ajuda humanitária da ONU permanece retida, principalmente no sudeste do país.

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“Neste momento, temos cerca de 200 contêineres aguardando para sair dos portos”, observa Étienne Labande, representante do Programa Mundial de Alimentos (PMA) em Cuba. Ele explica que o material a ser distribuídos inclui “kits de cozinha, painéis solares, sistemas de purificação de água do UNICEF e ajuda alimentar do PMA”.

Aproximadamente 20% dos cubanos dependem da ajuda humanitária da ONU, que está angariando fundos para importar combustível para a ilha, algo inédito em sua história em Cuba. “Temos um orçamento de US$ 7,5 milhões, que cobre as necessidades de toda a comunidade humanitária envolvida no plano [da ONU] para Cuba, até dezembro”, continuou Étienne Labande.

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Assim que os fundos forem arrecadados, levará pelo menos um mês e meio para o combustível chegar. Esta semana, a ONU também está começando a usar transportadoras privadas para transportar parte de sua ajuda humanitária.

Situação humanitária

O Coordenador Residente das Nações Unidas em Cuba, Francisco Pichón, alertou na segunda-feira para a deterioração da situação humanitária no país, agravada pela crise energética e pelos efeitos do furacão Melissa.

“A crise energética tem um impacto humanitário sistêmico e crescente, afetando todos os aspectos da vida diária em Cuba: saúde, água e saneamento, sistemas alimentares, educação, transporte e telecomunicações. Além disso, o país está sem combustível suficiente há mais de três meses”, disse Pichon a jornalistas por videoconferência em Nova York.

Ele acrescentou que “as consequências humanitárias, como esperado, continuam a piorar diariamente, apesar dos recentes esforços da Federação Russa para fornecer combustível”.

Entre os números mais preocupantes, segundo a ONU, estão mais de 96 mil procedimentos cirúrgicos adiados, incluindo 11 mil em crianças.

Cuba enfrenta cenário grave de crise energértica
Terry Feuerborn / Flickr

Cerca de 32 mil mulheres grávidas estão em risco devido ao acesso instável a serviços pré-natais, enquanto 3 mil crianças estão com a vacinação atrasada.

Além disso, a população está sofrendo com apagões prolongados e um milhão de pessoas agora dependem de entregas de água por caminhões-pipa.

Quase meio milhão de crianças e adolescentes estão frequentando aulas em dias reduzidos.

Os idosos também estão sofrendo os efeitos da crise, enfatizou Pichón, observando que Cuba tem a população mais idosa da América Latina. “São pessoas que dependem de serviços e precisam de médicos para conseguir chegar aos centros de saúde”, explicou.