Quarta-feira, 8 de julho de 2026
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A 68ª cúpula de presidentes do Mercosul começou nesta terça-feira (30/06), em Assunção, com uma dura crítica do presidente paraguaio, Santiago Peña, às “assimetrias” geradas após a assinatura de um acordo de livre comércio com a União Europeia. Ao discursar, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica”.

“O campo não está nivelado para todos por igual, não temos o mesmo mercado, nem as mesmas indústrias, nem a mesma logística”, disse Peña ao abrir a sessão na sede da Conmebol em Luque, nos arredores da capital paraguaia.

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Além do anfitrião, participam da cúpula os presidentes dos países-membros Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Rodrigo Paz (Bolívia) e Yamandú Orsi (Uruguai), além dos associados José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador).

O argentino Javier Milei, que inicialmente tinha confirmado sua participação, a cancelou em meio à convulsão política em casa devido à renúncia de seu agora ex-chefe de gabinete por um escândalo de suposto enriquecimento ilícito.

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Em seu duro discurso de abertura, Peña exigiu “resultados concretos” para que o acordo com a União Europeia, assinado em janeiro e cuja ratificação pela UE segue pendente, corrija “as assimetrias”.

“Para que negociamos com a Europa se o acesso a novos mercados não há de servir para desenvolver o que ainda não está desenvolvido?”, reclamou.

68ª Cúpula do Mercosul no Paraguai
Foto: SantiPenap / X

“Gosto amargo”

Peña denunciou o “gosto amargo” que a implementação inicial do acordo com a UE deixou para seu país.

O presidente paraguaio fez alusão ao problema sensível da distribuição de cotas de exportação com preferências tarifárias no bloco regional para os produtos destinados à UE.

“É uma questão de justiça. Um Mercosul sem justiça é qualquer coisa menos um bloco fraterno”, queixou-se, quando alguns dos parceiros conseguiram se destacar nas primeiras etapas do novo pacto comercial.

A UE oferece cotas de importação com benefícios tarifários e é o Mercosul que deve resolver como distribui o volume entre seus membros.

“Se o Mercosul quer ser confiável para fora, primeiro deve ser por dentro”, afirmou Peña, o primeiro a discursar na cúpula do bloco.

“Queremos um Mercosul onde o mais forte pisoteia o mais fraco?”, questionou. “O Paraguai mantém sua posição sobre a distribuição das cotas. Isto não é um capricho, isto é justiça”, acrescentou.

Minuto de silêncio

Os chefes de Estado devem aprovar o início oficial dos diálogos para um acordo de livre comércio com o Japão e os detalhes técnicos do acordo com a União Europeia, assinado em janeiro passado na capital paraguaia e vigente desde maio.

A pedido de Lula, os mandatários presentes fizeram um minuto de silêncio em solidariedade à Venezuela após os terremotos da semana passada.

“Quero reiterar minha solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela diante das perdas humanas e materiais incalculáveis”, disse o presidente brasileiro.

“Tragédias como essa convidam a uma reflexão sobre a importância da solidariedade e da cooperação regionais”, acrescentou.

Em seu discurso, Lula também ressaltou o papel do bloco em um cenário internacional conturbado. “Na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica”, afirmou, defendendo ainda que a integração regional deve se sobrepor a diferenças políticas. “O projeto de integração sul-americano deve estar acima de ideologias”, disse.