Terça-feira, 16 de junho de 2026
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Deputados argentinos do bloco peronista União pela Pátria — entre eles German Martinez, chefe do bloco, e Cecilia Moreau, primeira vice-presidente da Câmara dos Deputados — apresentaram um pedido ao governo argentino na segunda-feira (18/05), após o envio de duas aeronaves militares C-130 Hércules para a Bolívia em meio à repressão aos protestos populares promovida pelo presidente Rodrigo Paz.

“Enviamos um pedido de informações ao governo Milei a respeito do envio de duas aeronaves militares C-130 Hercules para a Bolívia, em meio à repressão da grande rebelião popular contra o governo de Paz Pereira”, declarou o deputado Juan Marino.

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Rodamundo | tudo sobre os protestos na Bolívia

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Marino argumentou que o deputado da oposição boliviana Rolando Pacheco (Aliança Popular) denunciou publicamente ontem que os aviões Hércules argentinos não estavam transportando ajuda humanitária, mas sim material para reprimir as mobilizações.

Ele também mencionou que a repressão do governo boliviano deixou pessoas mortas pelas forças de segurança, dezenas de feridos e “alguns com ferimentos a bala que causaram perda de visão”. Pelo menos 47 pessoas foram detidas, segundo dados fornecidos pela Defensoria Pública da Bolívia em 16 de maio.

O projeto proposto exige que o Executivo argentino apresente um relatório sobre a carga transportada, o pessoal a bordo, os acordos militares com a Bolívia e a participação na operação “Escudo das Américas”, presidida por Donald Trump.

“É essencial que o Congresso tenha garantias de que esta operação não será usada para reprimir o povo boliviano. A mera palavra do governo argentino, após o precedente de 2019, não basta”, afirmou o congressista.

Marino argumentou que a situação política foi ainda mais agravada por dois eventos adicionais. Ele observou que, em 24 de abril, o governo de Rodrigo Paz nomeou o General Rodolfo Montero Torrico como Vice-Ministro da Segurança Cidadã. Montero Torrico havia sido o Comandante-Geral da Polícia Boliviana durante os massacres de Sacaba e Senkata em 2019.

O oficial militar foi identificado pelo Grupo Interdisciplinar de Peritos Independentes (GIEI) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) como parte da cadeia de comando responsável e é acusado pelo Ministério Público boliviano de genocídio, homicídio e lesões corporais graves.

Ele afirmou que “é falso que as manifestações sejam desestabilizadoras, como Milei e o governo dos EUA alegam. Violar o Estado de Direito significa massacrar os manifestantes e impedir o exercício do direito de protestar”.

(*) com teleSUR