Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O ministro das Relações Exteriores do Peru, Hugo de Zela, declarou apoiar os ataques dos Estados Unidos no Mar do Caribe e no Pacífico, onde pelo menos 21 barcos foram afundados e 82 tripulantes morreram nos últimos meses.

Durante uma coletiva de imprensa com a Associação de Imprensa Estrangeira do Peru (APEP), o chanceler justificou que essas ações, supostamente em combate ao narcotráfico, fazem parte de um esforço conjunto contra um problema que “representa um perigo para a região”.

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“Eles [EUA] dispararam contra barcos que transportavam drogas em águas internacionais. Isso não aconteceu em águas pertencentes a nenhum país, portanto, vemos isso como um esforço para combater o narcotráfico”, disse De Zela.

O ministro também afirmou que, embora os EUA não tenham solicitado apoio direto do Peru, seu país “não rejeitaria tais operações se elas ocorressem perto de sua costa, desde que se concentrassem no tráfico ilícito”.

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“Enquanto isso estiver acontecendo em águas internacionais e envolver tráfico de drogas, acreditamos que as pessoas que praticam o tráfico de drogas devem ser detidas”, acrescentou.

Com suas declarações, o ministro peruano fez coro à narrativa dos EUA, referindo-se à existência de máfias transnacionais como o Cartel de los Sóis, grupo narcotraficante que Washignton acusa, sem provas, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em liderar.

Segundo De Zela, “essas máfias operam na região por meio de rotas dinâmicas e coordenação entre os países”, por isso “é essencial que os países do continente tenham mecanismos de coordenação para alertas precoces e para a detenção de transportadores”, afirmou.

Questionado diretamente sobre a posição de governo peruano em relação a um possível ataque militar dos EUA à Venezuela, De Zela se recusou a responder, argumentando que se trata apenas de uma possibilidade.

A declaração surge em meio ao fortalecimento da cooperação bilateral entre Peru e EUA, com uma delegação do FBI (Departamento Federal de Investigação) e especialistas em segurança norte-americanos chegando ao país latino-americano na última terça-feira (09/12), realizando uma reunião na quarta-feira (10/12) a fim de estabelecer um novo plano de segurança.

Declarações de apoio ocorrem após EUA apresentarem proposta para explorar minerais críticos do Peru 
Ministerio de Relaciones Exteriores

EUA querem minerais críticos do Peru

As declarações de apoio ocorrem também após os Estados Unidos apresentarem um memorando de entendimento ao Peru para a exploração de minerais críticos, recursos essenciais para a transição energética e o desenvolvimento tecnológico.

De Zela enfatizou que “os EUA demonstraram um interesse muito acentuado na questão dos minerais críticos”, reconhecendo que o país andino possui reservas essenciais como lítio, cobalto e níquel.

“Eles sabem que esses tipos de minerais, dos quais o Peru possui uma boa quantidade, são essenciais para o progresso tecnológico”, afirmou, esclarecendo que o governo peruano está estudando o documento “com muita atenção” antes de dar uma resposta formal, sem especificar prazos ou condições.

Enquanto isso, De Zela divulgou um projeto de expansão do porto de Callao, o mais importante do Peru, que inclui um investimento estimado em três bilhões de dólares (R$16,2 bilhões), liderado pelo Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos.

A iniciativa visa aumentar a capacidade de armazenamento de contêineres, e para isso, a realocação da Base Naval de Callao, atualmente adjacente aos cais comerciais operados pela DP World (Emirados Árabes Unidos) e pela APM Terminals (Holanda). “Isso implica um investimento significativo por parte dos Estados Unidos”, enfatizou o ministro.

(*) Com Prensa Latina e TeleSUR