Quinta-feira, 10 de setembro de 2026
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O ex-presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta quarta-feira (03/09) que os processos eleitorais no Brasil e no México estão em risco de serem afetados pelo que chamou de “representantes do tecnofascismo”.

A declaração aconteceu em uma conferência realizada na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), na qual Petro usou a expressão para se referir a grandes grupos econômicos que, segundo ele, controlam os algoritmos e estariam se utilizando desse controle para impulsionar candidaturas comprometidas com os seus interesses em diversos países.

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Durantes sua exposição, o ex-mandatário colombiano usou como principal exemplo as últimas eleições presidenciais do seu próprio país, ocorridas entre maio e junho deste ano e nas quais Abelardo de la Espriella, representante da extrema direita, venceu o progressista Iván Cepeda com uma diferença de pouco mais de 251 mil votos.

Segundo Petro, um sistema de aproximadamente dois milhões de bots interferiu na campanha eleitoral da Colômbia, sob a supervisão do Departamento de Estado norte-americano, com o objetivo de apoiar a candidatura de Espriella.

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“As eleições gerais no Brasil, que acontecerão dentro de um mês, estão na mira dessa mesma estrutura, assim como as eleições de meio de mandato no México”, frisou o ex-presidente colombiano.

Além de mencionar o pleito brasileiro, marcado para outubro deste ano, Petro se referiu ao processo mexicano, que está programado para junho de 2027 e renovará todas as vagas da Câmara de Deputados, além dos governos estaduais de 17 entes federativos.

Fator Cerimedo

Em outro momento de sua exposição, o presidente da Colômbia destacou as descobertas de fazendas de bots e outras atividades impulsionadas pelo consultor argentino Fernando Cerimedo, preso na Bolívia.

Gustavo Petro, durante conferência na Cidade do México
X / UNAM

Em sua argumentação, Petro destacou as matérias jornalísticas publicadas recentemente e que trazem documentos comprovando os vínculos entre Cerimedo e pessoas próximas ao secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, que segundo ele “é quem comanda essa estrutura de intervenção eleitoral, especialmente nos países da América Latina”.

Petro disse que o mesmo padrão que ele denuncia nas eleições da Colômbia em 2026 teria sido observado nas eleições do Peru (também em junho de 2026, vencidas por Keiko Fujimori), do Chile (em dezembro de 2025, vencidas por José Antonio Kast), de Honduras (em novembro de 2025, vencidas por Nasry Asfura) e da Bolívia (em outubro de 2025, vencidas por Rodrigo Paz).

“Em todos esses processos, foram eleitos presidentes alinhados aos interesses de Washington e das empresas representantes do tecnofascismo, e em alguns deles com resultados que contrariam os prognósticos”, enfatizou o líder colombiano.

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