Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Entidades de professores e trabalhadores das universidades públicas da Argentina, como o Conselho Interuniversitário Nacional (CIN) e a Federação Universitária Argentina (FUA), reúnem-se nesta segunda-feira (24/08) para preparar uma nova greve universitária no país contra as políticas do governo Milei para o setor.

A paralisação de 48 horas está prevista para a próxima quinta-feira (27/08). O ato é uma continuidade da greve realizada entre 18 e 22 de agosto, e classificada como “ilegal” e motivada por “razões políticas” pelo subsecretário de Políticas Universitárias do governo argentino, Alejandro Álvarez.

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“Até que nossas reivindicações sejam atendidas, haverá greve. Legal e legítima, graças à força do corpo docente de nossa universidade e de todas as universidades nacionais”, respondeu a Associação Sindical dos Docentes da Universidade de Buenos Aires (AGD-UBA).

Ao convocar o ato desta semana, a Confederação Nacional de Professores Universitários (CONADU) garantiu que “as universidades públicas não se renderão”. Entre as principais reivindicações dos trabalhadores, docentes e estudantes universitários está o cumprimento da Lei de Financiamento Universitário, promulgada há mais de 300 dias no país.

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Vox España / Wikimedia Commons

A Lei nº 27.795, ratificada em outubro de 2025 e ainda não implementada pelo atual governo, estabelece recursos para despesas de funcionamento das universidades, salários e programas de bolsas de estudo. As entidades sindicais também acusam deterioração salarial e falta de repasses orçamentários  para a manutenção cotidiana das instituições universitárias previstos na legislação.

Página 12 informa, com base em estimativas dos sindicatos, que desde a posse do governo Milei, em dezembro de 2023, os trabalhadores universitários perderam quase um terço do seu poder de compra. Para recuperar o patamar salarial daquele período, seria necessário um reajuste superior a 50%. Além disso, segundo o CIN, mais de 10 mil professores e pesquisadores deixaram seus cargos nas universidades desde a posse do ultradireitista.

As entidades afirmam que a política do atual presidente argentino, Javier Milei, está ameaçando o funcionamento do sistema universitário público e  manutenção dos programas de bolsas de estudo. Na última sexta-feira (21/08), representantes do governo e das universidades públicas participaram de uma audiência em torno da implementação do financiamento, mas sem sucesso. Uma nova rodada de negociação foi marcada para 1º de setembro.

Milei disputará novo mandato

Na última sexta-feira (21/08), o presidente da Argentina confirmou, em entrevista à Rádio Mitre, que disputará a reeleição em outubro de 2027, e que dará continuidade às reformas econômicas e políticas implementadas por seu governo.

Segundo pesquisa da consultoria CEOP Latam, 52% dos argentinos se identificam atualmente como opositores ao governo Milei; 32% se declaram governistas e 15,1% se definem como independentes.