Terça-feira, 9 de dezembro de 2025
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As acusações de fraude nas eleições de Honduras, ocorridas no último domingo (30/11), ganharam peso na noite desta segunda-feira (02/12), com a apresentação de um relatório técnico pela candidata do Partido Livre, a governista Rixi Moncada, em terceiro lugar na disputa.

Em coletiva de imprensa, Moncada denunciou “fraude eleitoral” e adulterações nos resultados a partir da manipulação de atas eleitorais, permitidas após a eliminação dos mecanismos de verificação biométrica dos eleitores, às vésperas do pleito no domingo.

A “eliminação da validação das atas dos leitores biométricos foi aprovada” no Conselho Nacional Eleitoral (CNE) “uma noite antes das eleições”, mencionou Rixi. Para a candidata, a decisão abriu caminho para a soma de votos irregulares “especialmente no âmbito presidencial”.

O levantamento do seu comitê técnico, informa a TeleSur, identificou 2.859 minutos registrados sem validação biométrica, o equivalente a 25,35% do total, o que levou à publicação de 543.478 votos como válidos, mesmo sem o registro correspondente por impressão digital.

Moncada explicou que essas atas “sem biometria”, com uma média de 217 votos cada, apresentam “mais votos do que deveriam”, com casos extremos de até 100 votos adicionais.

No total das atas sem validação biométrica, 1.588 totalizaram 326.285 votos atribuídos ao empresário Nasry Asfura, do Partido Nacional; e 1.041 somaram 217.193 votos para Salvador Nasralla, do Partido Liberal. Apenas 204 atas foram destinadas ao Partido Livre. Segundo o relatório, Liberal e Nacional teriam acumulado 543.478 votos publicados como válidos, sem o registro correspondente por impressão digital.

Rixi Moncada pede revisão de atas eleitorais em Honduras: ‘usaremos todos os recursos legais’
@JorgeAldanaB

“Vamos exigir, neste período dos 30 dias da contagem geral final, que essas atas sejam revisadas e vamos utilizar todos os recursos legais”, garantiu Moncada. Segundo a candidata, essa é a única forma de “restaurar a transparência” e assegurar que “a vontade popular expressa nas urnas seja estritamente respeitada”.

Rixi também afirmou que o bipartidarismo hondurenho impôs seu “complô eleitoral”, mencionando os áudios que indicavam manipulações no sistema de transmissão de resultados preliminares e na biometria dos eleitores.

Interferência dos EUA

Moncada também citou a “ingerência estrangeira imperial direta” de Donald Trump. Segundo ela, o anúncio do presidente dos Estados Unidos de “perdão absoluto” para o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, funcionou como uma pressão direta sobre o eleitorado.

Ela lembrou que Trump a atacou publicamente, dizendo que “as pessoas inteligentes de Honduras a rechaçariam” e que “não poderia colaborar com Moncada e os comunistas”.

Para a líder do Livre, as declarações de Trump são um expediente típico da Guerra Fria. “O presidente Donald Trump me classifica de comunista, usando o expediente gasto da Guerra Fria […]. O povo hondurenho que me conhece estará sempre do meu lado, indignado contra essa ingerência”, afirmou.

A candidata governista assegurou que “as eleições não estão perdidas” e disse que não pretende recuar. “Manterei minhas posições e não me rendo. Estarei sempre do lado do povo, com meus valores firmes na defesa da minha pátria livre, nos princípios da não ingerência e da soberania popular”, afirmou.

Ela também enfatizou que não reconhecerá nenhum dos candidatos da “oligarquia”, que descreveu como responsáveis por proteger grupos que “tomaram mais de 80% da riqueza nacional”.

Novas ameaças de Trump

Em publicação na sua Truth Social, nesta segunda-feira (01/12), Trump ameaçou novamente o país.  “Parece que Honduras está tentando mudar os resultados de suas eleições presidenciais. Se isso acontecer, haverá um inferno a ser pago!”, escreveu.

Ele relatou nas redes que após o povo hondurenho votar massivamente no domingo, a CEN”suspendeu abruptamente a contagem à meia-noite de 30 de novembro.”

“A recontagem mostrou uma disputa acirrada entre Tito Asfura e Salvador Nasralla, com uma estreita vantagem de 500 votos para Asfura. A recontagem foi interrompida quando apenas 47% dos votos foram contados”, detalhou.

“É imperativo que a Comissão termine de contar os votos. Os votos de centenas de milhares de hondurenhos precisam ser contados. A democracia deve prevalecer!” disse Trump.