Rússia diz que ‘nunca abandonará’ Cuba e denuncia ‘obsessão’ dos EUA contra ilha
Vice-ministro da chancelaria russa se reuniu com Díaz-Canel, que agradeceu pelo envio de petróleo; autoridades avaliariam fortalecimento de relações políticas, comerciais e industriais
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, declarou nesta sexta-feira (10/04) que o país nunca abandonará Cuba, ressaltando que planeja ajudar o país a enfrentar a crise energética agravada pelo embargo dos Estados Unidos. A posição se deu após a reunião com o presidente cubano Miguel Díaz-Canel no Centro de Convenções de Havana, onde ambas as autoridades avaliaram novos cenários de fortalecimento de relações políticas, comerciais e industriais, conforme comunicado da chancelaria da ilha.
“A Rússia não tem planos de abandonar o hemisfério ocidental, não importa o que Washington possa dizer”, afirmou Ryabkov. “Eles são obcecados em expulsar a Rússia e a China da região”.
No encontro, ambos os lados reafirmaram sua disposição para expandir os laços existentes. Como parte da estratégia cubana para impulsionar a economia, empresas russas foram autorizadas a administrar instalações industriais na ilha, uma medida voltada para mitigar os efeitos da crise interna.
Segundo a agência TASS, Díaz-Canel expressou também a sua gratidão ao homólogo russo Vladimir Putin por seus esforços de solidariedade diante da crise que Cuba está enfrentando, destacando que “Cuba não está sozinha”.
“Gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para enviar saudações ao nosso querido amigo presidente Vladimir Putin”, disse. “Em nome do Partido [Comunista], do governo e do povo de [Cuba], quero expressar minha gratidão pelo combustível que a Federação Russa nos enviou”.

Vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov
Vladimir Gerdo/TASS
O vice-ministro russo Ryabkov garantiu, por sua vez, que “está claro” que a ajuda de Moscou a Havana deve ir além do grande carregamento de petróleo, via o navio Anatoly Kolodkin, que enviou para a ilha no mês passado. A embarcação desafiou as sanções norte-americanas impostas por Donald Trump e entregou 100 mil toneladas do recurso no porto cubano de Matanzas.
“Tenho certeza de que os eventos das últimas semanas em nossas relações nos levarão a avançar para encontrar soluções para os problemas mais difíceis… emergindo do bloqueio ilegal e absolutamente inaceitável à ilha pelos Estados Unidos”, afirmou, reafirmando que as necessidades energéticas da ilha são uma prioridade. “Não podemos trair Cuba. Isso está fora de questão. Não podemos deixá-la sozinha.”
A autoridade russa também comentou sobre os ataques dos Estados unidos e de Israel contra o Irã, ao destacar que “deixam claro que o uso da força, sanções e ditame político não produz os resultados desejados”.
(*) Com TASS e Telesur























