Rússia e China condenam ameaças dos EUA a Cuba e reiteram 'firme apoio' a Havana
Moscou classifica estratégia de Washington como ‘encarnação cínica’ da Doutrina Monroe; Pequim repudia indiciamento do ex-presidente cubano Raúl Castro
A Rússia e a China emitiram declarações nesta quinta-feira (21/05) repudiando a escalada das ameaças norte-americanas contra Cuba. Moscou condenou o endurecimento das sanções econômicas impostas à ilha e classificou a estratégia de Washington como uma “encarnação cínica” da Doutrina Monroe.
Pequim repudiou as acusações apresentadas nesta quarta-feira (20/05) pelo Departamento de Justiça norte-americano contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, acusando os Estados Unidos de recorrerem a ameaças e sanções unilaterais contra Havana.
Em coletiva de imprensa, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que Cuba segue submetida à pressão econômica crescente e criticou as medidas contra empresas de países terceiros que mantêm operações comerciais na ilha. O objetivo dessas ações é “o estrangulamento econômico” da ilha, afirmou.
“As tentativas da administração da Casa Branca de apertar a rede de sanções em torno de Cuba, juntamente com o bloqueio comercial, econômico, financeiro, humanitário e, mais recentemente, também de petróleo e energia, que já dura anos, são um reflexo direto da intolerância de Washington a qualquer dissidência, bem como a personificação cínica da ressuscitada Doutrina Monroe”, declarou a diplomata.

Rússia e China condenam ameaças dos EUA a Cuba e reiteram ‘firme apoio’ a Havana
Agência Xinhua
‘Onde estão os direitos humanos?’
A porta-voz russa questionou a política norte-americana em relação à ilha: “onde estão os direitos humanos? Onde está o respeito pelas pessoas? Onde está a liberdade de opinião e a liberdade de expressão? Onde está tudo isso?”. Ela acrescentou que faltam “conceitos mais básicos” sobre limites jurídicos e institucionais. “Existem leis e ordem que põem fim a esse caos que está sendo desencadeado”, afirmou.
Moscou manifestou seu apoio político a Havana. “Estamos convencidos de que o heroico povo cubano, que em mais de uma ocasião demonstrou sua dedicação à causa da liberdade, da independência e da justiça social, e que mostrou força e coragem extraordinárias diante dos desafios externos, manterá sua unidade e firmeza de espírito e continuará a defender abnegadamente seus interesses nacionais”, declarou.
“Condenamos veementemente qualquer tentativa de interferência flagrante nos assuntos internos de um Estado soberano, intimidação, imposição de medidas restritivas unilaterais ilegais, ameaças e chantagem”, acrescentou.
Pequim
No mesmo dia, a China se posicionou contra a acusação formal apresentada pelo Departamento de Justiça dos EUA contra o ex-presidente cubano Raúl Castro e outras cinco pessoas. Washington alega que eles teriam responsabilidade na derrubada de duas aeronaves em 1996, episódio que resultou na morte de quatro pessoas, incluindo três cidadãos norte-americanos.
Durante coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que “a China se opõe firmemente a sanções unilaterais ilegais sem fundamento no direito internacional e sem autorização do Conselho de Segurança da ONU”, bem como à “manipulação abusiva de procedimentos judiciais”.
Pequim pediu que Washington interrompa as ameaças dirigidas a Havana. “Os Estados Unidos devem parar de brandir a ameaça de sanções e ações legais contra Cuba”, ao mesmo tempo em que “recorrem à ameaça do uso da força na menor oportunidade”, disse o porta-voz.
“A China apoia firmemente Cuba na defesa de sua soberania e dignidade nacionais e se opõe à interferência estrangeira”, declarou.
























