Terça-feira, 23 de junho de 2026
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A cooperação entre Cuba e Rússia ganhou novo impulso durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, realizado entre os dias 3 e 6 de junho no ExpoForum Convention and Exhibition Centre. Autoridades dos dois países discutiram acordos bilaterais e a escalada de ameaças e sanções de Washington contra a ilha caribenha.

Nesta quinta-feira (05/06), o governo Trump sancionou autoridades do governo cubano, incluindo o próprio presidente do país, Miguel Díaz-Canel, e sua esposa, além de familiares do ex-presidente Raúl Castro.

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O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) incluiu na lista de sanções as Forças Armadas Revolucionárias, os Comitês de Defesa da Revolução, o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) e empresas ligadas ao Estado cubano.

Durante sua agenda no Fórum, o vice-primeiro-ministro cubano e ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Oscar Pérez-Oliva, reuniu-se com o vice-primeiro-ministro russo Dmitry Chernishenko para avaliar o andamento dos projetos conjuntos e estabelecer novas prioridades econômicas.

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Pérez-Oliva reafirmou o interesse do governo cubano em fortalecer os laços com a Rússia, enquanto Chernishenko destacou o caráter histórico da relação bilateral e a cooperação entre os dois países para enfrentar os impactos das sanções de Washington.

Rússia e Cuba reforçam cooperação estratégica contra bloqueio dos EUA
Alejandro Azcuy/ Presidência da Rússia

‘Interferência flagrante’

O encontro ocorre após a Duma Estatal, câmara baixa do Parlamento russo, publicar um projeto de resolução condenando o bloqueio econômico, financeiro e energético imposto pelos Estados Unidos a Cuba. O documento classifica as medidas como uma violação do direito internacional e uma tentativa de interferência nos assuntos internos de um Estado soberano.

Segundo o texto, “o bloqueio econômico, financeiro e, especialmente, o bloqueio energético quase total imposto pelos EUA à República de Cuba nada mais é do que uma interferência flagrante nos assuntos internos de um Estado soberano, que viola diretamente os princípios e normas da Carta da ONU”.

Os deputados russos afirmam que as ações de Washington buscam pressionar a liderança cubana e criar condições para uma mudança de governo na ilha.

A iniciativa da Duma ocorre três dias após o Conselho da Federação da Rússia, equivalente ao Senado, aprovar uma declaração pedindo que a Organização das Nações Unidas e os parlamentos do mundo condenem o aumento da pressão norte-americana contra Cuba.

Os senadores russos manifestaram preocupação com a presença de forças navais dos Estados Unidos no Caribe, interpretando as movimentações militares como parte de uma estratégia de intimidação contra Havana. No documento, eles exigiram o fim das políticas hostis e a retirada completa das restrições econômicas, comerciais, financeiras e energéticas impostas por Washington.

BRICS

Durante o Fórum Econômico, o representante cubano também se reuniu com o ministro da Saúde da Rússia, Mikhail Murashko, para discutir iniciativas de cooperação no setor, incluindo intercâmbio de experiências na produção de medicamentos, formação de especialistas e fortalecimento dos sistemas públicos de saúde.

A delegação cubana participou da sessão plenária presidida pelo presidente russo Vladimir Putin e de debates sobre o papel do BRICS na transformação da ordem internacional. Cuba passou a participar recentemente do bloco como país associado.

O diretor-geral adjunto de Assuntos Bilaterais do Ministério das Relações Exteriores de Cuba, Alejandro Simancas, ressaltou o compromisso da ilha com o BRICS. Ele também defendeu a construção de uma ordem mundial mais equilibrada, ao criticar os efeitos do bloqueio norte-americano no país.