Terça-feira, 9 de junho de 2026
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A presidente mexicana Claudia Sheinbaum classificou como “sensacionalista” a reportagem da emissora norte-americana CNN sobre o suposto envolvimento da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) em ataques contra cartéis de drogas em território mexicano.

Durante a coletiva de imprensa matinal nesta quarta-feira (13/05), a presidente afirmou que era “totalmente falso” o que foi publicado pelo veículo, que noticiou que a CIA estava por trás da explosão do veículo que causou a morte de Francisco Beltrán, vulgo ‘el Payín’, suposto operador do Cartel de Sinaloa, organização considerada terrorista por Washington.

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“A CNN, supostamente um veículo de comunicação reconhecido internacionalmente, publicou uma matéria verdadeiramente sensacionalista alegando que agentes da CIA estão operando em nosso território nacional, inclusive para eliminar uma pessoa. Imaginem a dimensão dessa mentira inventada”, declarou Sheinbaum.

A chefe de Estado enfatizou que nenhum agente dos EUA opera no México fora dos mecanismos legais estabelecidos na Constituição e na Lei de Segurança Nacional.

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“Isso é absolutamente falso. Primeiro, é falso que agentes da CIA estejam operando em nosso território. Existem autorizações para agências americanas que estão perfeitamente definidas na Constituição e na Lei de Segurança Nacional”, explicou ela.

Dessa forma, ela reiterou que esses funcionários credenciados trabalham principalmente em coordenação com a Embaixada dos EUA e sob regras estabelecidas há anos. “Eles têm que cumprir a Lei de Segurança Nacional”, insistiu.

“É como se houvesse um departamento especial do governo dedicado a plantar bombas. É uma ficção do tamanho do universo. Sempre diremos a verdade, e essa é a nossa responsabilidade. Sempre agimos dentro da lei”, acrescentou.

Sobre a reportagem da CNN, a emissora citou a Procuradoria-Geral do Estado do México como sua fonte, que posteriormente emitiu um comunicado “negando veementemente” ter fornecido informações àquele veículo de comunicação.

Da mesma forma, a porta-voz da agência estadunidense, Liz Lyons, descreveu o que a CNN transmitiu como “informação falsa e sensacionalista” que serve apenas “como uma campanha de relações públicas para os cartéis”.

A respeito disso, Sheinbaum respondeu: “Fiquei até surpresa, porque descobri que até o porta-voz da CIA veio a público dizer que era falso. Eu nem sabia que existiam porta-vozes da CIA”.

O posicionamento do governo mexicano surge após a controvérsia em torno de dois membros da agência de inteligência que participaram ilegalmente de uma operação antidrogas no México, o que poderia ter constituído uma violação da segurança nacional mexicana, e que posteriormente morreram em um acidente no estado de Chihuahua.

Retratar governo mexicano como desonesto

Diante desse cenário, Sheinbaum continuou na coletiva alegando que por trás dessas publicações existe uma intenção política de retratar o governo mexicano como desonesto e de alimentar um clima de confronto bilateral.

“Existem grupos nos Estados Unidos e grupos no México que desejam que haja uma relação ruim entre o governo dos Estados Unidos e o país. Eles estão apostando nisso”, disse ela.

Ela afirmou que esses setores buscam “prejudicar o governo mexicano e o povo mexicano” e acusou “comentaristas” e grupos conservadores de promoverem a ideia de uma crise bilateral para justificar uma possível intervenção estrangeira.

“Eles estão apostando em uma relação ruim, por quê? Para que os Estados Unidos intervenham no México. É por isso que esses grupos existem”, disse ela.

Ao ser questionada se existe uma campanha de “natação sincronizada” na mídia internacional, Sheinbaum respondeu: “Sim. Há muitas pessoas que apostam na derrota e no fracasso do governo mexicano, por razões ideológicas e políticas.”

Apesar disso, ela reiterou que seu governo manterá a cooperação com os Estados Unidos em segurança e no combate ao narcotráfico, mas sempre “dentro da estrutura de respeito à nossa soberania”.

Trump ameaça intervenção terrestre no México

O presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu um novo alerta às autoridades mexicanas na última quarta-feira (06/05), afirmando que Washington intervirá diretamente se o México “não fizer a sua parte na luta contra o narcotráfico”.

“Se eles não fizerem o trabalho, nós faremos”, declarou Trump. Ao mesmo tempo, ele enfatizou a eficácia das operações militares, alegando que o tráfico de drogas por via marítima havia diminuído 97% durante seu governo — uma de suas afirmações exageradas que foi refutada pela imprensa, agências de checagem de fatos e outras fontes.

A posição de Washington aprofunda a crise bilateral com o governo de Claudia Sheinbaum. Nesse sentido, o governo mexicano rejeitou categoricamente qualquer possibilidade de intervenção armada em seu território, invocando o princípio da soberania nacional.

Desde que retornou ao poder, Trump classificou os cartéis mexicanos como organizações terroristas, priorizando o combate ao fentanil como foco central de sua agenda de segurança.

A situação se torna mais complexa após as acusações de um tribunal federal dos EUA contra o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya. O político, membro do partido governista Morena, é acusado, juntamente com outros nove funcionários públicos, de supostos crimes de tráfico de drogas e armas .

Em resposta ao pedido de extradição, o governo mexicano afirmou que Washington não apresentou provas convincentes para comprovar a culpa do acusado.