A presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu “calma” aos seus cidadãos nesta segunda-feira (23/02) e negou o envolvimento direto dos Estados Unidos na operação contra o Cartel Nova Geração de Jalisco (CJNG), que resultou na morte de seu líder, Nemesio Oseguera Cervantes. Conhecido como “El Mencho”, o criminoso foi morto no dia anterior, provocando uma onda de violência em parte do território mexicano.
“Hoje acordamos sem qualquer bloqueio em nenhuma das estradas, praticamente toda a atividade foi restabelecida”, disse a mandatária em coletiva. Em retaliação, os membros do cartel haviam bloqueado as estradas e incendiado veículos em várias localidades do país. “Fiquem calmos porque a prioridade é garantir paz, segurança e normalidade no país”.
Segundo o jornal La Jornada, o país permanece em estado de alerta. Em decorrência da violência, nesta segunda-feira ao menos oito estados mexicanos suspenderam as atividades escolares e o Poder Judiciário garantiu que os juízes podem fechar os tribunais conforme a necessidade.
O secretário de Segurança, Omar García Harfuch, informou que, até o momento, foram registrados pelo menos 57 mortes em ataques do CJNG: entre as fatalidades estão 25 membros da Guarda Nacional, um guarda penitenciário, um funcionário da Procuradoria-Geral do Estado e 30 criminosos.
De acordo com Sheinbaum, as forças que atuaram na operação de domingo (22/02) “são preparados, homens e mulheres profissionais, com muita visão e muito patriotismo”. Além disso, a presidente esclareceu que a operação foi planejada e executada apenas pelas forças federais mexicanas, em particular pelo Exército Mexicano, e que o governo dos Estados Unidos apenas fornecia suporte na área da inteligência.
“Todas as operações são realizadas por forças nacionais, não há participação das forças dos Estados Unidos. O que existe é uma troca de informações, o entendimento com os Estados Unidos baseia-se na troca de inteligência, neste caso houve. Mas toda a operação, desde seu planejamento, é das forças federais, neste caso da Defesa Nacional”, explicou. “Agradeço a todos os governadores, todos estavam em coordenação com muitas informações”.

No dia anterior, os governadores dos 31 estados e da Cidade do México, que incluíram os partidos políticos governistas e da oposição, manifestaram apoio à presidente Sheinbaum após a operação. Em carta assinada conjuntamente, as autoridades prometeram manter coordenação permanente para “garantir a paz, a estabilidade e o bem-estar de todos os mexicanos”.
Além do partido governista Morena, no documento consta o nome de quatro governadores da sigla conservadora Pan: María Teresa Jiménez, de Aguascalientes; Líbia Dennise Garcia Muñoz, de Guanajuato; Maria Eugenia Campos Galván, de Chihuahua e Mauricio Kuri González, de Querétaro.