Sheinbaum recusa ampliar tropas dos EUA no México para combate ao narcotráfico
Trump pressiona pela participação direta de militares norte-americanos em ações de combate ao fentanil, enquanto mandatária mexicana defende cooperação, mas sem presença militar
A Casa Branca está pressionando o governo mexicano para ampliar a presença de militares norte-americanos dentro do México para combate do tráfico de fentanil. Fontes do governo Trump, ouvidas pelo New York Times, afirmaram que a proposta encontra resistência da presidente Claudia Sheinbaum, que descarta o aumento do efetivo militar dos Estados Unidos, ou de qualquer outro país, no território mexicano.
Desde o governo Biden, a Agência Central de Inteligência (CIA) vem realizando voos secretos de drones para identificar os laboratórios produtores da droga no México. Essas operações, diz a reportagem, aumentaram com a volta de Donald Trump à Casa Branca.
Atualmente, as informações são repassadas às autoridades mexicanas, muitas delas treinadas por forças de Operações Especiais norte-americanas, destaca o jornal. Com essas informações, a Defesa mexicana planeja e executa suas missões no território.
O republicano, no entanto, pretende a participação direta das tropas ou de agentes de inteligência em ações dentro do México. Pela proposta, as operações continuariam sendo lideradas pelo Ministério da Defesa, mas com “apoio logístico, inteligência e assessoria no terreno”.
Na semana passada, à Fox News, Trump afirmou: “eliminamos 97% das drogas que entram por via marítima e vamos começar a chegar em terra firme, no que diz respeito aos cartéis”.
Cooperação com respeito à soberania
O governo mexicano rejeita a ideia por considerá-la uma expansão sensível do papel dos Estados Unidos no país. Em conversa anterior com Trump, Sheinbaum rejeitou a presença militar norte-americana para além da fronteira.

Sheinbaum recusa ampliar tropas dos EUA no México para combate ao narcotráfico
Reprodução / @Claudiashein
Ela contou que o republicano “geralmente insiste na participação das forças dos EUA” e que “sempre dizemos que não é necessário”, afirmando que Trump foi “receptivo, ouviu, deu sua opinião e concordamos em continuar trabalhando” em conjunto.
Ao jornal, o secretário de Segurança e Proteção Cidadã do México, Omar García Harfuch, afirmou que, ao menos, 100 agentes norte-americanos atuam em solo mexicano, realizando atividades de coordenação e intercâmbio de informações. Segundo ele, o México tem “unidades do exército altamente treinadas e forças especiais” e o que o país precisa é de informações.
A cooperação entre os dois países no enfrentamento ao crime organizado se intensificou nas últimas três décadas, aponta o NYT, ao acrescentar que as autoridades temem que uma pressão excessiva de Trump comprometa isso.
Segundo o governo Sheinbaum, a destruição de laboratórios de drogas e prisão de narcotraficantes aumentou em quatro vezes no país, em resultado do envio de centenas de forças para combater o Cartel de Sinaloa, o maior distribuidor mundial de fentanil. “O que estamos fazendo é atacar a estrutura criminosa na base, no meio e no topo”, garante Harfuch.























