Sobe para 2.295 número de mortos após terremotos na Venezuela; Brasil envia apoio técnico
Ao menos 10.571 ficaram feridos com tremores registrados na última semana; em Caracas, ministro da Defesa brasileiro José Múcio e Delcy Rodríguez se reuniram para discutir coordenação de equipes humanitárias
Atualizada em 01 de julho, às 16:41
O número de mortos na Venezuela em decorrência dos terremotos que atingiram o país na semana passada subiu para 2.295 , conforme o mais recente balanço divulgado na tarde desta quarta-feira (01/07) pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. Os dados mais atualizados também apontam que a quantidade de feridos quase dobrou, registrando mais de 11 mil pessoas afetadas pelos abalos sísmicos.
Nesta terça-feira (30/06), as autoridades venezuelanas contabilizaram 1.943 mortos e 10.571 feridos. Em relação ao balanço anterior, o número de vítimas fatais aumentou em 352, evidenciando o agravamento da situação em apenas 24 horas.
“O trabalho das equipes de resgate tem sido heroico. Estimamos que 30 mil pessoas viviam nas áreas mais atingidas, e 6.400 foram resgatadas pelas equipes”, informou Rodríguez, destacando ainda que pelo menos um total de 19.861 pessoas teriam sobrevivido aos desastres com base em registros oficiais e coleta de depoimentos.
Pesquisas hospitalares e relatos apontam que cerca de 13,4 mil pessoas conseguiram se salvar por conta própria ou com ajuda de familiares, enquanto pelo menos 6.461 foram resgatadas diretamente pelos socorristas. A Organização das Nações Unidas (ONU), por sua vez, estima que aproximadamente 50 mil pessoas ainda estejam desaparecidas.
As operações de busca e resgate continuam em diversas regiões afetadas, enquanto o governo venezuelano tenta implementar projetos de ampliação de abrigos temporários e assistência humanitária aos sobreviventes.
O presidente da Assembleia Nacional também afirmou que foram registradas 689 réplicas desde o terremoto inicial, embora a intensidade desses tremores secundários esteja diminuindo gradualmente.
“Continuamos a busca incansável por sobreviventes; hoje resgatamos uma criança de 3 anos”, disse Rodríguez. No entanto, não descartou novas ameaças apesar da redução das réplicas.
“O fato de a frequência dos réplicas ter diminuído é uma boa notícia, mas não é definitivo (…) isso não significa que qualquer risco de um evento perigoso tenha desaparecido completamente”, acrescentou.
Em La Guaira, uma das áreas mais afetadas, centenas de caixões e sacos de cal foram colocados para montar um necrotério improvisado. No local, familiares enfrentam longas esperas para identificar vítimas por meio de registros fotográficos.
Além disso, profissionais de saúde atuam para conter riscos sanitários diante da alta concentração de corpos.

O ministro da Defesa brasileiro, José Múcio Monteiro, enfatizou a disposição de continuar trabalhando com a Venezuela em meio aos desastres causados pelos terremotos
Prensa Presidencial
Ajuda brasileira
Na terça-feira, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reuniu-se com o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, enviado especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para coordenar o envio de ajuda humanitária e apoio técnico. No encontro, a autoridade brasileira enfatizou a proximidade entre Caracas e Brasília.
“Todo mundo sabe o carinho que meu presidente tem pela Venezuela. Brasil e Venezuela são um só país a partir de agora”, disse.
O Brasil ativou um contingente de 100 militares brasileiros na missão, composto por 40 profissionais de saúde e 60 fuzileiros da Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (Frida) de sua Marinha, além de instalar um hospital de campanha em La Guaira.
O hospital em questão tem capacidade para fornecer 200 cuidados médicos por dia. Além disso, os equipamentos de telecomunicações brasileiros possuem tecnologia de ponta, incluindo analisadores de espectro e antenas de alta sensibilidade, projetadas para rastrear sinais de celulares sob os escombros.
A operação brasileira deve permanecer na Venezuela por um período inicial de 15 dias, com possibilidade de extensão de mais 15 dias, até que a situação no país atingido pelos terremotos seja controlada.
(*) Com Ansa e Telesur
























