Quarta-feira, 13 de maio de 2026
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O deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente venezuelano Nicolás Maduro, contou pela primeira vez os bastidores do ataque dos Estados Unidos contra Caracas, em 3 de janeiro. Em entrevista ao El País, publicada neste domingo (03/05), ele afirmou que o líder venezuelano permanece “firme”.

“Ele é dedicado ao país e à política, estava preparado para isso. Ele sente que sua vitória é estar vivo, é também uma pessoa muito espiritual”, declarou.

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Preso no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, Maduro aguarda o início do seu julgamento, até então paralisado, após a Casa Branca tentar impedir que o governo venezuelano pagasse os honorários dos advogados do casal.

“Meu pai não tem dinheiro, não tem contas, não tem laranjas, não tem nada”, afirmou. “Seria absurdo dizer que ele vivia mal, mas o único bem que meu pai possui é o apartamento que comprou quando era deputado com Cilia, em El Paraíso. E esse sempre foi o sonho deles: voltar para aquele apartamento”, disse Guerra.

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RS/Fotos Públicas

Prisão

O deputado também comentou os primeiros meses de confinamento do líder venezuelano. Seu pai permaneceu em confinamento solitário, em “uma cama estreita. Café, comida excessivamente apimentada, uma escrivaninha”. Após negociações do governo de Delcy Rodríguez com os Estados Unidos, no entanto, as condições foram parcialmente flexibilizadas.

Durante a Semana Santa, relatou Guerra, Maduro passou a interagir com outros detentos e pode assistir à televisão. Ele relatou que as conversas são frequentes e que, durante as ligações, o líder venezuelano pergunta sobre o país e a família. Segundo o deputado, futebol é outro tema das conversas, ele ficou muito irritado com a eliminação do Barcelona na Liga dos Campões, em 14 de abril.

Maduro também está lendo e passando livros para os detentos da prisão. Assim que foi preso, ele pediu que lhe levassem “Discurso de Angostura” de Bolívar, as obras completas do Libertador, a Constituição da Venezuela. “Ele tem já mais de 60 livros”, disse Guerra, mencionando Doña Bárbara de Rómulo Gallegos, várias obras de Gabriel García Márquez, O Estado e a Revolução, de Lenin, livros de metafísica de Conny Méndez, além do Código Penal de Nova York, que está sendo estudado por Cilia Flores, que também é advogada.

3 de Janeiro

O deputado relatou ao El Pais os acontecimentos da madrugada de 3 de Janeiro. Centenas de drones pairavam diante das janelas do Palácio de Miraflores durante o ataque. “Um amigo meu que estava na montanha do Ávila filmou Caracas cheia de drones, mas eu os vi bem aqui”, destacou Guerra.

O momento mais dramático, contou, ocorreu durante o bombardeio inicial, quando recebeu uma mensagem de despedida do pai, afirmando: “Nico, estão bombardeando. Que a pátria siga lutando, vamos em frente”. “Todos achávamos que ele morreria naquele dia”, afirmou o deputado.

Naquele dia, ele passou horas sem notícias sobre o pai e conversou Delcy Rodríguez e Jorge Rodríguez, que também temeram pela vida do presidente e se recusaram a negociar com os EUA, sem prova de vida.

Guerra desmentiu a versão de que Maduro teria tentado se esconder em um cofre, afirmando que era um armário de madeira. “Não sabemos nem por que ele estava ali”, disse, ao contar que o líder venezuelano tentou se esconder por “instinto de sobrevivência”, quando a porta foi arrombada a tiros. Ele chegou a sofrer uma lesão no joelho e Cilia Flores bateu a cabeça, ficando inconsciente. “Ainda bem que soubemos depois que Cilia estava bem, porque a poça de sangue que havia era bárbara”, afirmou.

O parlamentar também descreveu o primeiro contato com o pai após a captura, ocorrido semanas depois por telefone. “Nico. Nico, fala. Alô?”, recorda. Após o telefonema ele deixou a sessão parlamentar para chorar “um pouco”. Desde então, passou a gravar as ligações com o pai.