Trump acusa 'hostilidade' do presidente colombiano e ameaça: 'será o próximo'
Petro lamenta desinformação do republicano sobre combate às drogas na Colômbia, lembrando que 'mafiosos da cocaína negociaram com judiciário dos EUA'
A relação entre Estados Unidos e Colômbia atingiu novo patamar de tensão nesta quarta-feira (10/12), após o presidente norte-americano Donald Trump afirmar que o país ‘será o próximo’, em menção aos ataques de Washington contra a Venezuela.
Trump recusou a possibilidade de uma conversa com seu homólogo colombiano, afirmando que Petro “tem sido bastante hostil” em relação aos Estados Unidos, e advertiu: “espero que esteja me escutando; será o próximo.”
Na declaração, dada a jornalistas na Casa Branca, ele acusou a Colômbia de ser uma grande produtora e exportadora de drogas para os Estados Unidos. “Ele vai ter sérios problemas se não abrir os olhos. A Colômbia produz muita droga. Têm fábricas de cocaína que produzem cocaína e a vendem diretamente aos EUA. Assim que é melhor que abra os olhos, ou será o próximo”, afirmou.
‘Mal-informado’
A resposta de Petro foi imediata. Em declaração televisionada e publicada na plataforma X, o presidente colombiano afirmou que “Trump está muito mal-informado sobre a Colômbia. É uma pena, porque ele está desconsiderando o país que mais entende de tráfico de cocaína. Parece que seus interlocutores o estão enganando completamente.”
Petro afirmou que a desinformação do presidente dos Estados Unidos “o leva a frases e ações que não podem ser feitas contra um presidente democraticamente eleito pela maioria da sociedade colombiana. É assim que a Colômbia é desrespeitada”, apontou.
“Tenho opiniões diferentes sobre as políticas do governo dos EUA em relação à Palestina, Caribe, Venezuela e a eficácia da luta contra as máfias. Em uma democracia global, tenho o direito de expressá-las e contestá-las, e se me mostrarem meu erro com os dados, posso corrigi-las”, afirmou, ao apresentar os números do combate ao narcotráfico perpetrado por seu governo.
“Houve mais de 1.446 batalhas terrestres contra os cartéis realizadas pelas nossas forças armadas, e 13 bombardeios com o objetivo de localizar seus líderes, muitas dessas batalhas envolvendo inteligência militar compartilhada. Meu governo apreendeu 2.700 toneladas de cocaína, a maior apreensão da história mundial. Isso equivale a 32 bilhões de doses que nunca chegaram aos EUA ou a outros países consumidores”, explicou.

Petro lamentou falta de informação de Trump e lembrou que ‘mafiosos da cocaína negociam com judiciário dos EUA’
Fernando Frazão / Agência Brasil
‘Dinheiro está no sistema financeiro’
O presidente colombiano lembrou ter recebido de seu antecessor, Iván Duque, a maior área de cultivo de coca já registrada na Colômbia. “Herdamos a maior área de cultivo de coca da história da Colômbia do governo Duque, com taxas de crescimento anual de 45%. Foi o próprio Trump quem denunciou publicamente a atrocidade cometida em 2020, quando o cultivo de coca disparou durante o governo Duque. De acordo com medições de satélite feitas em agosto de 2025, o cultivo de coca havia parado de crescer”, acrescentou.
Ele também destacou que os lucros do tráfico de cocaína não entram mais na Colômbia. “O dinheiro da cocaína não entra mais na Colômbia. Ele está no sistema financeiro internacional. Com inteligência policial internacional coordenada, podemos apreendê-lo.”
Ele lembrou ter solicitado um plano de luta global e perseguição ao capital e bens dos traficantes de drogas. “Não é perdoando-os, não compartilho dessas decisões. Negociar sentenças com traficantes de drogas é feito pelo sistema de justiça, não pelos governos. Se salvarmos mortes, melhor ainda, mas o objetivo é desmontar o tráfico de drogas e não estimulá-lo”.
Petro também reiterou suas críticas à estratégia de ataques a lanchas rápidas no Caribe: “não é verdade que mísseis contra lanchas rápidas sejam uma forma de combater narcoterroristas”. E acrescentou: “vejo esses mafiosos indo aos EUA para espalhar desinformação. Os donos das máfias da cocaína vivem em iates perto de Dubai e em Madri e negociam com o sistema judiciário dos EUA”.
Divergências legítimas
Petro também afirmou que sua família vêm sendo ameaçada por máfias internacionais justamente por causa dessas iniciativas. “Por causa dessas ideias, as máfias internacionais que controlam o tráfico de cocaína na Colômbia estão ameaçando minhas filhas e minha família. Não quero ver presidentes dos EUA apoiando e incentivando essas ameaças.”
E explicou a Trump que o fluxo de cocaína não ocorre predominantemente pelo Caribe: “mais cocaína sai pelo Pacífico do que pelo Caribe, mais em navios mercantes do que em lanchas rápidas; as lanchas rápidas são meros meios de transporte para os navios maiores. O controle portuário é fundamental, e a coordenação policial global e dos EUA é necessária para alcançá-lo”.
























