Trump ameaça 'invadir e destruir' Cuba para forçar mudança de regime
Presidente dos EUA anunciou que manteria a pressão sobre a ilha e declarou que apenas sua 'moralidade', e não o direito internacional, poderia impedi-lo
“Não acho que seja possível exercer muita pressão adicional, a não ser invadir e destruir o lugar”, declarou Donald Trump sobre Cuba em entrevista a Hugh Hewitt, na qual reiterou suas ameaças contra o país caribenho e abordou, entre outros tópicos, a situação no Irã e sua visão particular das relações internacionais dos EUA.
Após reconhecer que toda a pressão possível foi exercida sobre Cuba, embora tenha evitado falar literalmente de uma invasão militar, Trump mencionou “entrar e destruir” como a única opção para forçar a mudança de regime que várias administrações norte-americanas tentaram sem sucesso durante décadas.
Na entrevista com Hewitt, ao ser questionado se implementaria uma “quarentena” como no caso da Venezuela, o magnata republicano afirmou que Cuba “está por um fio” após o sequestro do presidente constitucional venezuelano, Nicolás Maduro.
“Cuba está em sérios apuros”, disse Trump. “Toda a vida deles girou em torno da Venezuela. Eles obtêm seu petróleo e seu dinheiro da Venezuela”, afirmou, acrescentando que a pressão contra Havana continuará.
No último domingo (04/01), Trump já havia declarado que Cuba “está prestes a cair”, argumentando que o país deixará de receber petróleo venezuelano.

‘Cuba está em sérios apuros’, disse Trump, ecoando o que extremistas de direita em seu gabinete, como Marco Rubio, já haviam afirmado
Gage Skidmore / Flickr
Ele reconheceu, no entanto, que se dizia “há muitos anos” que a ilha iria entrar em colapso. “Cuba está em apuros há 25 anos. Não se recuperou completamente”, disse ele, mas “está muito perto disso”.
As declarações de Trump surgem no contexto de comentários anteriores do Secretário de Energia, Chris Wright, que insinuou uma pressão significativa sobre Havana após as ações de Washington contra a Venezuela. “Acho que veremos uma pressão muito significativa sobre Cuba”, disse Wright à CNBC.
Na agressão militar de 3 de janeiro, na qual as forças dos EUA bombardearam Caracas e outros pontos da Venezuela e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, a primeira combatente Cilia Flores, 32 combatentes cubanos que serviam no âmbito da cooperação entre as duas nações morreram.
Sob a administração Trump, Cuba sofreu uma intensificação sem precedentes da hostilidade e da guerra econômica, comercial e financeira por parte dos Estados Unidos. Em 2025, o presidente assinou um memorando para endurecer essa política, proibindo transações financeiras diretas ou indiretas com entidades estatais e reforçando a proibição do turismo na ilha.
Ao discutir a situação no Irã com Hewitt, o chefe da Casa Branca afirmou que, se as autoridades ferirem os manifestantes, ele atacará.
“Se eles fizerem isso, vamos atingi-los com muita força […] Mas eles sabem, e já foram avisados com muita ênfase, até mais do que estou dizendo agora, que se fizerem isso, pagarão um preço altíssimo”, foi a ameaça dele.
Trump também afirmou que não precisa do direito internacional e que apenas sua “própria moralidade” pode impedi-lo.
Em entrevista ao The New York Times , quando questionado especificamente sobre se existem restrições à sua autoridade para mobilizar forças militares globalmente, ele respondeu: “Sim, existe uma coisa. Minha própria moral. Minha própria mente. Essa é a única coisa que pode me impedir. Eu não preciso de leis internacionais.”























