Sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
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O presidente dos EUA, Donald Trump, interveio diretamente nas eleições hondurenhas na quarta-feira (26/11), expressando seu apoio ao candidato do Partido Nacional, Nasry “Tito” Asfura, intensificando a interferência de Washington antes das eleições do próximo domingo (30/11).

Em uma mensagem publicada em sua rede social Truth Social, Trump descreveu Asfura como “o único verdadeiro amigo da liberdade em Honduras” e alertou contra uma possível vitória de Rixi Moncada, candidata do partido governista Liberdade e Refundação (Libre).

“Tito foi um prefeito bem-sucedido de Tegucigalpa, onde levou água potável a milhões de pessoas e pavimentou centenas de quilômetros de estradas”, enfatizou Trump, acrescentando: “Tito e eu podemos trabalhar juntos para combater os narcocomunistas e fornecer a ajuda necessária ao povo hondurenho”.

O presidente dos EUA delineou um cenário de alinhamento ideológico, afirmando que, se Moncada vencer, “os supostos narcoterroristas do presidente venezuelano Nicolás Maduro assumirão o controle de outro país, como fizeram com Cuba, Nicarágua e Venezuela”. Nesse contexto, reiterou que “Tito Asfura é quem defende a democracia e luta contra Maduro”.

Trump também se referiu ao terceiro colocado nas pesquisas, Salvador Nasralla, do Partido Liberal, a quem acusou de tentar “dividir os votos de Asfura”. “Nasralla não é amigo da liberdade. Quase um comunista, ele ajudou [a atual presidente] Xiomara Castro candidatando-se como seu vice-presidente. Ele venceu e ajudou Castro a vencer. Depois, renunciou e agora finge ser anticomunista”, afirmou o presidente americano, concluindo que “não se pode confiar nele”.

A mensagem de Trump representa a intervenção mais contundente de Washington na campanha eleitoral hondurenha, embora não seja a primeira. Anteriormente, o Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Christopher Landau, alertou que o governo Trump responderia “rápida e firmemente a qualquer ataque à integridade do processo democrático em Honduras”.

Além disso, dias atrás, a congressista americana Maria Elvira Salazar, representando a Flórida, alertou Honduras sobre os riscos à sua democracia e pediu aos cidadãos que “não votassem no comunismo” durante uma sessão do Congresso dos Estados Unidos.

Rixi Moncada rejeita a interferência de Trump

Nesse contexto, a candidata do Partido Libre, Rixi Moncada, rejeitou na quarta-feira (26/11) as acusações de ser “comunista” feitas por Donald Trump e alertou para uma possível “armadilha” na transmissão dos resultados preliminares do Conselho Nacional Eleitoral de Honduras.

“Eles me chamam de comunista para esconder a verdade: temem a democratização da economia, estão apavorados com a Lei de Justiça Tributária; e querem que o dinheiro continue sendo um privilégio de dez famílias e não um direito do povo”, disse o candidato e ex-secretário de Defesa Nacional de Honduras.

Além disso, Rixi Moncada apelou ao povo hondurenho para que proteja o seu voto e afirmou que o sistema bipartidário de Honduras está derrotado.

Mais de seis milhões de hondurenhos estão aptos a votar para eleger um presidente, vice-presidentes, prefeitos, deputados nacionais e representantes para o Parlamento Centro-Americano. Não há segundo turno em Honduras, portanto, o candidato com o maior número de votos assumirá o poder em 27 de janeiro de 2026.

Conspiração eleitoral

Antes das eleições de 30 de novembro, sete gravações de áudio vazaram para o público, expondo conversas entre Cossette López (conselheira eleitoral do Partido Liberal), representantes dos partidos Nacional e Liberal (oposição, direita) e empresários, com o objetivo de negar a eventual vitória da candidata de esquerda, Rixi Moncada, que era a favorita nas pesquisas, e proclamar Salvador Nasralla presidente utilizando o sistema TREP (Sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares).

O conteúdo, divulgado pela mídia, revela uma rede de pressões, negociações irregulares e coordenação ilegal para boicotar as eleições, alterar os resultados e impedir uma nova vitória popular que aprofundaria a refundação do país, iniciada pelo Partido Liberdade e Refundação (Libre) e seus seguidores.

O vazamento confirma a existência de uma rede político-empresarial que já havia sido sinalizada semanas atrás com base em 26 gravações de áudio atualmente sob investigação. Entre as vozes mais implicadas nas gravações está a de Cossette López, que aparece como figura-chave conectando parlamentares, militares, empresários e outros funcionários do sistema eleitoral. A autenticidade dessas gravações foi confirmada por uma análise de especialistas internacionais.