Sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (29/01) uma ordem executiva que autoriza o governo norte-americano a impor tarifas adicionais a produtos importados de países que vendam ou forneçam petróleo a Cuba.

O texto presidencial declara “emergência nacional” em relação à ilha, afirmando que “a situação em relação a Cuba constitui uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos”.

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Segundo o documento é “necessário estabelecer um sistema tarifário” que permita aos Estados Unidos aplicar taxas “adicionais sobre as importações de produtos de qualquer país estrangeiro que, direta ou indiretamente, venda, forneça ou facilite o fornecimento de petróleo bruto ou derivados de petróleo ao regime cubano”.

A Casa Branca autoriza o secretário de Estado e o secretário de Comércio a “tomar todas as ações necessárias”, incluindo a emissão de regras, orientações e atos administrativos, para implementar o novo sistema tarifário e medidas correlatas”.

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Diz ainda, que Washington poderá modificar, suspender ou ajustar a ordem caso Cuba ou os países afetados “adotem medidas significativas para eliminar a ameaça ou alinhar-se aos objetivos de segurança nacional e política externa dos Estados Unidos”.

Havana reage: ‘brutal ato de agressão’

Em Havana, a reação foi imediata. O governo cubano condenou a decisão e classificou a ordem executiva como um “brutal ato de agressão” contra a ilha e seu povo.

Em mensagem publicada nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, declarou: “condenamos, nos termos mais firmes, a nova escalada dos Estados Unidos contra Cuba”. Segundo ele, Washington agora “se propõe a impor um bloqueio total aos suprimentos de combustível ao nosso país”.

Rodríguez afirmou que a administração Trump reforça medidas destinadas a “agravar o bloqueio contra a economia cubana e causar mais sofrimento humano”, sob o pretexto de uma “ameaça incomum e extraordinária” que, segundo o chanceler, “simplesmente não existe”.

Trump impõe tarifas aos países que vendem petróleo a Cuba e declara ‘emergência nacional’ contra a ilha
Molly Riley / White House

Para justificar a escalada Washington “se apoia em uma longa lista de mentiras que pretendem apresentar Cuba como uma ameaça que não é”, afirmou. “Cada dia há novas evidências de que a única ameaça à paz, à segurança e à estabilidade da região, e a única influência maligna, é a exercida pelo governo dos Estados Unidos contra as nações e os povos da Nossa América”, acrescentou.

Os Estados Unidos buscam “submeter países ao seu ditado, despojá-los de seus recursos, mutilar sua soberania e privá-los de sua independência”, afirma a nota cubana. E acrescenta: Washington recorre “a chantagem e à coerção” para tentar forçar outros países a aderirem à política de bloqueio contra Cuba.

“Aos que se negam, os Estados Unidos ameaçam com a imposição de tarifas arbitrárias e abusivas, em violação de todas as normas do livre comércio”, afirmou. “Denunciamos perante o mundo este brutal ato de agressão contra Cuba e seu povo, submetido há mais de 65 anos ao mais prolongado e cruel bloqueio econômico jamais aplicado contra uma nação inteira, e ao qual agora se promete impor condições de vida extremas”.

Alegações de Washington

O documento da Casa Branca sustenta que essas medidas visam “proteger a segurança nacional e a política externa dos Estados Unidos frente às ações e políticas malignas do regime cubano”. E afirma que o governo de Cuba “tomou e continua tomando medidas que prejudicam e ameaçam os interesses dos Estados Unidos”.

A ordem executiva acusa Havana de alinhar-se a “atores adversários” e a “grupos terroristas transnacionais”, citando explicitamente Rússia, China, Irã, Hamas e Hezbollah. A Casa Branca sustenta que Cuba “acolhe capacidades militares e de inteligência estrangeiras” e abriga “a maior instalação de inteligência de sinais da Rússia no exterior, dedicada a roubar informações sensíveis de segurança nacional dos Estados Unidos”.

Alerta à comunidade internacional

O vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío afirmou, em postagem nas redes sociais, que “a comunidade internacional deve estar atenta”, e questionou: “o que virá depois?”.

Se essa pretensão for aceita, “inaugura-se um novo e grotesco capítulo de vassalagem em escala global” e se abre “um caminho perigoso, do qual nenhum Estado com noção de soberania poderá sentir-se a salvo”, acrescentou.

Cossio também destacou que “o efeito vai além das fronteiras de Cuba, embora seja nosso povo que há muito e estoicamente enfrentado a cruel e criminosa guerra econômica do imperialismo”.